Democracia é o governo no qual o poder é exercido pelo povo. Quem exerce o poder quando informação, capital e tecnologia se concentram nas mãos de poucos?
Não estou falando da clePTocracia que controla o Brasil, mas de um regime muito pior. O retrato dele pode ser visualizado nas fotos de Trump chegando na China, com um entourage dos chefões das Big Techs.
Elon Musk, Sam Altman, Mark Zuckerberg, entre outros, concentram um poder sem precedentes na história. Eles têm uma enorme capacidade de moldar as políticas públicas por controlarem as plataformas digitais, o fluxo de informações e as portas abertas para o salão oval da Casa Branca.
Este cenário é potencializado pela figura do presidente mais corrupto da história americana, que faz nossa cleptocracia parecer coisa de amador.
A jornalista Carole Cadwalladr alerta que a fronteira entre poder político e tecnológico foi derrubada, denominando o novo sistema que comanda os EUA de “Broligarchy”. O “bro” vem de brother (irmão), como se denominam os chefões do Vale do Silício. Os tentáculos deles influenciam a política e os negócios de distintas maneiras.
– Eleições: cada vez mais, vencer uma eleição depende das plataformas digitais, das mídias sociais, controladas pelos algoritmos, controlados pelos “broligarcas”.
– Poder: no passado, golpes militares derrubavam governos. A concentração das informações em poucas mãos pode levar à derrubada ou eleição de escolhidos por alguns poucos. Pior é que as barreiras de entrada no setor são altíssimas, o que lhes garante um oligopólio.
– Apropriação de conteúdo: o que alguém escreve, formula, desenha, é utilizado pelos LLM da IA, sem consentimento dos autores.
– Aniquilação da imprensa tradicional: com informações sendo distribuídas teoricamente de graça, os incentivos econômicos do jornalismo tradicional estão acabando.
Cadwalladr acredita que o maior risco para as democracias ocidentais não é um governo autoritário tradicional, mas a fusão entre poder estatal, plataformas digitais e inteligência artificial nas mãos de um pequeno grupo de bilionários da tecnologia.
É interessante que outros analistas, de posições ideológicas distintas, como os liberais Yuval Harari e Niall Ferguson e o marxista Álvaro Garcia Linera, corresponsável pela destruição da Bolívia, defendem a mesma tese.
A democracia vai sobreviver a esta ameaça?
Fonte: “Inside the Broligarchy: Is Big Tech Running US Politics?” DW News – Carole Cadwalladr.
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