A INOVAÇÃO DESTRUINDO A MARCA

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Por Ismar Roberto Becker

O objetivo do marketing é conhecer e compreender o cliente tão bem que o produto ou serviço se adapte a ele e se venda por si mesmo. O que leva uma empresa icônica a destruir sua marca?

Peter Drucker definiu o objetivo de marketing em 1954. Ele argumentou que como o objetivo de uma empresa é criar clientes, a empresa tem somente duas funções básicas: marketing para compreender o cliente e inovação para atender às expectativas do cliente.

Seguindo esta lógica, a pergunta que não quer calar: o que as equipes de marketing da Ferrari e da Jaguar fizeram para compreender o cliente e como as equipes de inovação transformaram as expectativas dos clientes em um produto?

A Jaguar cometeu um verdadeiro haraquiri da marca, começando com o lançamento de uma nova identidade visual, que não mostrava carros e apresentava uma nova marca. Logo depois, lançou o modelo elétrico Type 00.

Ironicamente, o Type 00 deve ter sido o objetivo de vendas da campanha. As vendas caíram de 180.000 carros em 2018 para 27.000 em 2025. Até hoje, os ex-futuros clientes estão esperando os novos modelos, já que os antigos foram descontinuados.

Na semana passada, a Ferrari lançou seu primeiro carro elétrico e o segundo com quatro portas. Com mais de 1.000 cv, atinge uma velocidade de 310 km/h, atinge 100 km/h em 2,5 segundos, tem o maior porta-malas da linha e custa 610 mil dólares.

Aqui caberiam duas perguntas básicas: quem quer uma Ferrari para levar mais de duas pessoas? Por que um porta-malas deste tamanho em um carro esportivo?

Reação de Luca de Montezemolo, presidente da Ferrari por 24 anos: estamos arriscando destruir uma lenda. Espero que pelo menos retirem o cavalo rampante.

A reação do mercado foi pior. As ações caíram 8,4% em um dia.

O nome do novo bólido é bem sugestivo, Luce, que significa luz ou iluminação. Pela reação dos admiradores da marca, deve tratar-se da luz de ré do carro.

Uma explicação para o visual chinês do Luce é que um dos projetistas foi da Apple e se inspirou no projeto de um novo “mause”.

O que explica dois desastres destes?

Onde estavam o Conselho e a alta direção, que provavelmente ouviram consultores, agências, influenciadores, pesquisas, esquecendo sua história e seus clientes?

Fonte: “Ferrari hat den Jaguar-Moment” – Prof. Dr. Christian Rieck.

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