O partido dos trabalhadores que não trabalham votou contra o Plano Real. Após ser aprovado, fez tudo para acabar com ele. Agora está prestes a conseguir. Quer saber por quê?
O Brasil entrou em um ciclo em que a inflação tende a permanecer estruturalmente acima da meta (3%) entre 2027 e 2030. O responsável é o populismo do Gasto é Vida. Neste cenário, a inflação ficaria acima de 4,5%, limite superior da meta, com tendências a beirar os 6%.
Dois fatores podem piorar este cenário ainda mais: continuidade da guerra no Irã e fim da independência, legal ou prática, do Banco Central.
No primeiro cenário, como importamos a maior parte do diesel que consumimos, a inflação de alimentos, que mais pesa na baixa renda, passará bem os 6%. No segundo caso, que aconteceu no (des) governo da Nova Matriz Econômica, quando chegou a 10,67%. Só não saiu totalmente de controle porque a causa principal do problema foi afastada, e adultos normais voltaram a controlar as contas no governo Temer.
Vamos avaliar as consequências dos dois cenários:
FIM DA INDEPENDÊNCIA DO BC
Embora pouco provável, neste cenário, há uma inflação de dois dígitos e extrema dificuldade de o governo rolar a dívida pública. Uma frase do pai da esquerda (Marx) resume o que acontecerá: “A história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Veremos mais um impeachment que paralisará o país por meses.
CONTINUIDADE DO GASTO É VIDA
Seguindo a máxima de que cachorro velho não aprende truque novo, na lamentavelmente provável reeleição do Aiatolá de Garanhuns, os gastos públicos indexados crescerão acima da arrecadação, aumentando a dívida pública, que exigirá manter os juros altos.
Isto cria uma inflação inercial, pela combinação de mercado de trabalho aquecido, reajustes salariais, indexação de contratos, aumentos especulativos. Pode piorar ainda mais com uma desvalorização do Real.
Enquanto quase todos estão empregados, ou mamando nas tetas do Bolsa Voto, um aumento da inflação é menos doido. Quando as demissões aumentarem, com a quebra de empresas, e os investimentos caírem e, com isto, novos empregos deixarem de ser gerados, temos um cenário de estagflação.
As alternativas de qualquer governo nesta situação são duas: ser derrubado ou delegar o controle para o Congresso.
Em resumo, a inflação deixará de ser um fenômeno monetário (excesso de gastos) para ser um problema fiscal. Quem viver, lamentavelmente, verá.
Qual é a sua aposta?
#ismarbecker #juros #economia #inflação #DividaFiscal #Dólar #Desemprego



