Cultura é aquilo que se faz quando os outros não estão vendo. E quando a crise bate à porta?
Na semana passada, visitei uma empresa familiar na quinta geração. Além da governança na empresa e na família, ela é um exemplo de participação dos colaboradores na gestão e na participação nos resultados.
Por razões totalmente fora do seu controle, o mercado onde ela atua (Agro) vem de cinco anos de crises que afetaram a colheita. Somado aos juros escorchantes, resultado da irresponsabilidade fiscal deste desgoverno, suas vendas despencaram. Pior do que isso, as perspectivas de uma rápida recuperação do setor são remotas.
Seguindo o exemplo de um casamento feliz, a empresa não foi testada nos anos de bonança, mas está sendo testada na crise.
Nos anos das vacas gordas, com o perdão do trocadilho, a empresa investia, distribuía lucros com os colaboradores, praticava uma gestão participativa.
Nos últimos anos, a liquidez diminuiu, com a distribuição de dividendos e de bônus.
Como não tem nada que não possa piorar, os produtos que ela distribui estão sofrendo uma devastadora, e desleal, concorrência da China.
Os desafios agora são outros.
É necessário reduzir os custos, rever benefícios, avaliar cortes de pessoal, separar patrimônio e afeto de desempenho.
Mercados em expansão escondem problemas de governança. Mercados em crise revelam quem realmente controla a empresa e quais valores orientam as decisões.
Como preservar a cultura em um ambiente de crise?
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