Depois de uma eleição onde vimos apenas ataques pessoais, precisamos chegar a um acordo mínimo sobre alguns pilares da democracia. Quer conhecer a história de três deles?Desde 2013, assino uma coluna no jornal A Gazeta de São Bento do Sul, na qual escrevo sobre política e economia nacional e internacional. Desde o início, defini minha postura da defesa da livre iniciativa, do modelo democrático liberal ocidental e do Iluminismo, que trouxe a razão para o debate político e social.Seguindo estes valores fundamentais, nos próximos cinco posts, pretendo discutir (no sentido elevado da palavra, os três pilares da democracia – diálogo, política e economia). Apresentar um cenário do futuro governo e concluir com a história real de uma campanha eleitoral. Vamos começar com o ponto sem o qual, não tem sentido pensar nos outros: DIÁLOGO.Praticamente todos os países democráticos estão passando por um período de intolerância e radicalização ideológica, que gerou um clima de maniqueísmo, onde eu sou o bem, represento Deus, enquanto os que pensam de forma diversa são maus, discípulos do Diabo. Resumindo: nós x eles. Quem plantou esta semente foi o futuro presidente (inclusive voltou a regá-la no discurso da sua diplomação). O atual presidente (que está seguindo um silêncio ensurdecedor) fez tudo o que pode para a semente se tornar uma árvore frondosa. Só faltou ressuscitar o slogan Brasil: Ame-o ou deixe-o.Este clima é insustentável. O psicólogo social Jonathan Haydt, no seu livro “A Mente Moralista – Por que as pessoas boas são segregadas por política e religião”, nos lembra que ao longo da história vivemos em grupos (tribos) para garantir comida e segurança. A lógica sempre foi: Eu contra meu irmão. Eu e meu irmão contra nosso primo. Eu, meu irmão e nosso primo contra o estranho.Como o Iluminismo surgiram as democracias liberais, que conseguiram reduzir os conflitos, mas estão em decadência desde a proliferação das mídias sociais, que fragmentou a discussão política. O Brasil não é uma exceção. Qual outra razão para justificar como um deputado do baixo clero, com um currículo medíocre, consegue chegar à presidência?Como mudar a situação? O historiador israelense Yuval Noah Harari resume o diálogo como a habilidade de ouvir e falar. Se você não está disposto a deixar os outros falarem, e defender as suas posições com argumentos, a única outra alternativa é lutar. Já que não posso convencer o outro, vou acabar com ele. Qualquer semelhança com a discussão (no sentido negativo da palavra) no Brasil hoje, não é mera coincidência. O Harari conclui que em um país onde o diálogo não é possível, só restam três alternativas: dividir o país; guerra civil ou ditadura. Muitos sonham com a última, provavelmente porque não lembram da que já vivemos.Se o futuro presidente não entender que é necessário trazer a maioria dos brasileiros para o diálogo, não temos futuro como democracia.Você concorda com o Haydt e o Harari?#ismarbecker #política #economia #inflação #crise



