Conselheiro não é quem decide. É quem ajuda a decisão a ser melhor. Como conviver com estrelas no Conselho?
Faz algum tempo, acompanhei alguns membros de Conselhos de médias empresas em uma visita para conhecer um fornecedor comum.
O mais jovem do grupo foi promovido ao Conselho de uma empresa familiar, após uma meteórica passagem no cargo de “superintengenro”. Sua maior/única qualificação foi ter casado com a filha do dono.
A visita foi um verdadeiro show de horrores, com verdadeiras palestras do genro conselheiro, que se considera um polímata, com conhecimento profundo desde arqueologia até zoologia.
Algum tempo depois, um colega conselheiro que estava na visita me mandou algumas notas que tirou do famoso livro de David Hume “An Enquiry Concerning the Principles of Morals” de 1751.
Hume, um dos pais do liberalismo, argumentou no livro que a moralidade não nasce da razão, mas dos sentimentos humanos e daquilo que promove o bem-estar da convivência em sociedade.
Meu colega conselheiro aplicou essa lógica ao papel do conselheiro em discutir as grandes questões do negócio, a debater estas questões, tentando chegar a um consenso, ou a uma maioria sem alijar os que tinham uma opinião contraria.
Baseado em Hume e no meu colega, poderíamos dar ao superintengenro os seguintes conselhos:
– Controle o ego: a boa convivência exige abrir mão, por alguns momentos, da necessidade de ser o centro das atenções.
– Fale menos, pergunte mais: não transforme toda conversa em um monólogo sobre você. Demonstre curiosidade genuína, faça perguntas e permita que os outros tenham espaço para falar.
– Traga leveza: bom humor, histórias interessantes e uma conversa agradável tornam qualquer ambiente melhor. Pessoas leves aproximam pessoas.
– Deixe os outros brilharem: a verdadeira autoconfiança não precisa de aplausos constantes. Reconheça seus erros, elogie sinceramente e valorize as conquistas alheias.
Não tenho nenhuma pretensão de sonhar que o superintengenro seguirá esses conselhos. Ele sofre de um narcisismo agudo semelhante ao filho de uma retirante que chama nós, catarinenses, de racistas, e insinua que somos de um extinto partido alemão.
Como podemos nos livrar desses egocêntricos agudos nos conselhos e no Brasil?
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