APERTEM OS CINTOS. O MUNDO MUDOU.

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Por Ismar Roberto Becker

A ordem global pós-guerra acabou. Pior, não temos uma nova. Como será o mundo daqui para frente? “Como esta era de desordem pode afetar nossas vidas e o Brasil?”

Dez entre dez analistas geopolíticos e geoeconômicos concordam que a ordem mundial pós-Segunda Guerra acabou. Trump não é o causador, mas um resultado de um modelo que vinha fazendo água há algum tempo.

Ian Bremmer, fundador da Eurasia, tentou descrever o que vem pela frente, com as seguintes características:

– Fim Pax Americana: os EUA resolveram que não queriam (ou podiam?) continuar como policial global, fiador desta ordem. Após o mandato de Trump, não voltaremos ao modelo anterior baseado no livre comércio, alianças globais, dólar forte, instituições multilaterais.

– Sem sucessor: como no fim da Pax Romana, pelo menos por um bom tempo, não teremos um novo fiador da ordem global. Será um mundo com líderes regionais, que Bremmer chama de GZero, em comparação ao G2 com os EUA e URSS.

– Multipolaridade sem estabilidade: as potências regionais estarão em uma competição permanente, sem ninguém para intermediar. Será um modelo “cada um por si, Deus por todos”.

– Geopolítica é o nome do jogo: no mundo global, o foco era a eficiência econômica (custo). Agora é a segurança nacional e de abastecimento. O mais caro é aquilo que não consigo trazer para casa.

– Rivalidade EUA x China: não teremos uma nova Guerra Fria, como nos tempos da URSS. Os EUA e a China continuarão grandes parceiros comerciais, mas vão competir ferozmente nos setores de ponta.

– Poder da tecnologia: o poder de algumas empresas (ex. Microsoft, Google, Apple, NVIDIA) já é maior do que a maioria dos países. Este poder vai extrapolar do econômico para o geopolítico.

– Riscos de fragmentação: a globalização está sendo substituída pela fragmentação entre países e interesses. Um país pode ser aliado de um outro em um grupo (tecnologia, por exemplo), mas competidor em outro (cadeias regionais).

– Instituições globais perdem relevância: ONU, OMC e OMS, por exemplo, perderão ainda mais a relevância. Isto tornará muito mais difícil coordenar ações para enfrentar problemas como guerras, clima, saúde etc.

E o Brasil?

Nossos governantes (sic!) ainda não aceitaram o fim da URSS. Apostaram esforço e nosso dinheiro em modelos econômicos centralizados ditatoriais, que estão caindo como um castelo de cartas. Mudou o jogo. O Brasil não percebeu.

Você já avaliou como este mundo em redemoinho vai te afetar?

Fonte: “World in Whirl” — Ian Bremmer – Foreign Affairs.

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