Enquanto Trump tenta terminar a guerra contra o Irã, a União Europeia (UE) e a China estão prestes a começar uma guerra. Por quê?
No início dos anos 80, fiz um estágio em uma fábrica de porcelana na Alemanha. O grupo Winterling tinha seis plantas, empregando mais de 10 mil pessoas. Em 1995, todas estavam desempregadas. A Alta Francónia, no norte da Bavária, onde ficavam as plantas da Winterling, era um dos maiores polos de porcelana globais. Porcelana era conhecida como ouro branco. Hoje é uma das regiões mais pobres da Alemanha.
As fábricas de porcelana da Europa foram dizimadas, em menos de cinco anos, pelas concorrentes chinesas. Hoje estamos assistindo ao mesmo massacre em setores bem mais importantes.
O número de falências na UE é o maior desde 2015. Na Alemanha, 143.000 perderam os empregos em 2025. A WV anunciou a demissão de mais de 100 mil colaboradores.
O dilema europeu pode ser resumido pelo ditado popular “se ficar, o bicho pega, se correr, o bicho come”. Até recentemente, a UE tinha medo de aplicar restrições às importações da China. Não podia correr o risco de a China retaliar.
Aparentemente, isto começou a mudar. Em uma decisão rápida e surpreendente, a UE aplicou uma tarifa antidumping de 79% nas importações de porcelana da China. Pena que tenha sido “too little, too late”, já que o setor foi dizimado nos anos 90.
A realidade nua e crua é que, em quase todos os setores, os preços da China não refletem os custos de produção.
Uma combinação de subsídios de todo tipo, que vão de 15 a 30%, com um câmbio artificialmente baixo e um absurdo excesso de produção, torna praticamente impossível competir com as importações chinesas.
As ferramentas normais de proteção são praticamente inofensivas. Processos antidumping são lentos, caros e analisados caso a caso. A UE deve começar a usar dados macroeconômicos (subsídios e outros) para aplicar tarifas. Caberia às empresas chinesas provarem que não recebem subsídios.
A pergunta que não quer calar é como a China vai reagir. Os próximos meses dirão. Até lá, mais empresas europeias fecharão, colocando milhares de pessoas na lista dos desempregados.
Quem vencerá a guerra?
Fonte: “A Trade War between the EU and China sees Inevitable” – The Economist.
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