CHILE – CONSTITUICAO 1009

Foto de Por Ismar Roberto Becker
Por Ismar Roberto Becker

No domingo passado, o Brasil perdeu uma oportunidade quase única de sair da liderança de vergonhosa lista vergonhosa. Quer saber por quê?Triunfo do bom senso com a rejeição da nova constituição chilena. Esta foi manchete da revista The Economist no artigo sobre a rejeição, por esmagadores 62% da população, de um exercício de delírio utópico, apimentado de prolixidade, dos 155 constituintes chilenos. O Chile é o único exemplo na América Central, além de um dos poucos do mundo, de um país que saiu do subdesenvolvimento na década de 70, depois de uma aventura progressista (sic!). Em uma ditadura que durou quase 20 anos, o general Pinochet focou na política, com milhares de casos de abusos e mortes, deixando a economia para uma espécie de Posto Ipiranga, comandado pelos chamados Chicago Boys. Todos beberam da maior fonte de liberalismo mundial, na Universidade de Chicago, orientados pelo brilhante Milton Friedman. Os princípios liberais foram mantidos, mesmo nos governos de declarados esquerdistas. Esta situação durou até 2019, quando revoltas populares acabaram levando a convocar uma Constituinte. O resultado de meses de discussões foi um verdadeiro ornitorrinco (mamífero que põe ovos e tem bico de pato) legal. A proposta que foi rejeitada pelos chilenos tinha nada mais nada menos, do que 388 artigos compilados em 170 páginas, que estabeleciam 100 (sim: cem) direitos fundamentais. Um deles era o direito à alimentação nutrialmente completa e com neurodiversidade (o corretor de texto não reconheceu as duas palavras!). O custo estimado da brincadeira foi entre 9 a 14% do PIB chileno por ano. Resumo: o país quebraria em pouco tempo, juntando-se à vizinha Argentina. Mas o que isso tem a ver com o Brasil? Caso a proposta chilena fosse aprovada, o Brasil deixaria o vergonhoso primeiro lugar da mais utópica, e impossível de ser cumprida, a Constituição do planeta. Com um texto que Roberto Campos chamava de Dicionário de Sonhos, nossa Carta Magna tem 245 artigos, que só não garantem o direito à imortalidade.  Nas discussões da Constituinte participei de uma empreitada quixotesca de tentar convencer os deputados e senadores de Santa Catarina a usarem um pouco de bom senso. Imaginem o resultado!Você já leu a Constituição Brasileira? Conhece seus direitos? Imagem: The Economist #ismarbecker #geopolitica #Chile #Constituicao #politica #governo #democracia #viagens

Compartilhe esse conteúdo:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Email
Twitter
Pinterest