DUAS GUERRAS – UM VENCEDOR

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Por Ismar Roberto Becker

Ninguém deveria começar uma guerra sem saber o que pretende alcançar, ensinou Carl von Clausewitz. Trump e Putin não seguiram o conselho. A China é o grande vencedor. Quer saber por quê?

A invasão da Ucrânia, que todos acreditavam que seria um passeio no parque, já dura cinco anos, mais do que a Primeira Guerra. Hoje é uma guerra de desgaste, com a Rússia perdendo mais homens do que consegue recrutar.

A Rússia não consegue avançar. A Ucrânia, embora esteja atacando a base industrial russa, ainda não conseguiu recuperar o território que perdeu. Os dois estão suficientemente fortes para começar uma negociação. Os EUA e a União Europeia não sabem o que fazer.

No Irã, os EUA e Israel eliminaram boa parte da elite do governo, destruíram quase todo o aparato militar, danificaram fortemente o programa nuclear. Não contaram que o Irã iria usar sua maior arma estratégica: fechar o estreito de Ormuz.

Na Rússia e no Irã, ficou comprovado que só bombardear um país não termina a guerra. A única exceção foi o Japão, que capitulou após duas bombas atômicas.

Nos dois casos, existe um complicador adicional para bloquear uma negociação. Rússia e Irã são ditaduras que não se importam com o custo financeiro e humano da guerra. Putin está perdendo terreno em popularidade, mas está longe do fim. No Irã, a teocracia dos Aiatolás foi substituída pelas forças armadas, que são muito mais radicais.

O historiador Niall Ferguson diz que a lição que aprendemos é que a guerra moderna não termina quando um exército vence batalhas; termina quando um dos lados consegue atingir seus objetivos políticos, que a Rússia e os EUA estão longe de conseguir.

Nesta história toda, quem está assistindo tudo de camarote é a China. Ela vende insumos de guerra para a Rússia e o Irã, e compra petróleo e gás baratos dos dois. De lambuja, vê seus dois rivais enfraquecer.

A Rússia, que apesar das juras de amor ilimitado, é um vizinho perigoso, e os EUA que estão usando uma parcela perigosamente alta do seu arsenal no Irã.

Este cenário poderia encorajar a China a invadir Taiwan?

Fonte: “Iran-Nato-China” – Niall Ferguson – The Free Press.

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