ALEMANHA E BRASIL – ASCENSÃO OU ABISMO?

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Por Ismar Roberto Becker

Vexame na Copa do Mundo. Economia em franco declínio. O que mais coloca a Alemanha e o Brasil no dilema da ascensão ou abismo?

Muita calma nessa hora. Antes de me apedrejarem, devo esclarecer que a Alemanha está caindo de um patamar muito mais alto, além de a corrupção ser um delito julgado nos tribunais de pequenas causas alemães, enquanto por aqui a mais alta instância participa dela.

A grande semelhança está nos dois centralizadores crônicos, que hoje são reféns do próprio legado, ou da falta dele. Evidentemente, me refiro a Muti Merkel e ao Aiatolá de Garanhuns.

A primeira largou o osso, deixando as Forças Armadas e a infraestrutura sucateadas, pintou o país de energia verde, e os balanços das empresas em vermelho, a burocracia sufocando a economia. A guerra na Ucrânia, no Irã e a inundação de VE chineses colocaram o país de joelhos.

O segundo quer levar o osso para o túmulo, mas, até lá, aproveitá-lo ao máximo. Em 2027 ou 2028, chegará a conta do Gasto é Vida, com o “shutdown” do governo, quando as receitas serão totalmente absorvidas pelos gastos obrigatórios.

Na Alemanha, a coligação do morde (esquerda) e assopra (direita), vendo o Alternativ für Deutschland (AfD) no retrovisor, resolveu se mexer e propôs um pacote de medidas radicais para os padrões alemães.

O chanceler Merz anunciou o envio para o parlamento de um Programa para Retomada e Emprego. Ele tem 34 medidas para aumentar a competitividade, flexibilizar o mercado de trabalho, reduzir a burocracia, aliviar impostos para rendas baixas e médias, aumentar os dos mais ricos e reformar a previdência e benefícios sociais.

Em um país que poderia chamar de Krankenland (país dos doentes) ou Urlaubsland (país das férias) ou “Bürocratieland”, é um avanço surpreendente. Considerando a dimensão do buraco, muitos, eu inclusive, pensam ser “muito pouco, muito tarde”.

A frase “O trabalho é o período entre as férias e o fim de semana” define bem a ética do trabalho predominante na Alemanha. Entre férias e feriados, não se trabalha uns 60 dias no ano, complementados por uns 20 dias de atestados médicos, por cada trabalhador alemão. Atestados de até 3 dias podem ser conseguidos por telefone.

O monstro burocrático deveria, no programa do governo, renunciar a que muitos procedimentos sejam feitos por escrito, com assinatura manuscrita, acima do respectivo carimbo. Não consegui levantar se o formulário eletrônico terá que ser enviado por fax ou chegará ao extremo de poder ser por e-mail.

Esse cenário kafkaniano já existia antes da Muti. Nos 16 anos que esteve no poder, ela manteve a Alemanha parada, enquanto o mundo evoluía.

Por essas razões, fechei minha gráfica de decalcomanias na Alemanha. Com a cada vez maior probabilidade da continuidade do Aiatolá, estou avaliando se vale a pena manter a do Brasil. Qual é a sua sugestão?

Fonte: “Aufschwung oder Abgrund?” – DWDeutsch.

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