AFUNDANDO O BRASIL

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Por Ismar Roberto Becker

Fazer previsões é arriscado, especialmente sobre o futuro, já disse um grande cientista. No Brasil atual afirmar que teremos um colapso fiscal em 2027 não é previsão. É certeza matemática. Dúvida?

A Ensadora de Vento não conseguiu quebrar o Brasil porque foi impeachmada. A provável reeleição do Aiatolá de Garanhuns, presenteada pela família “B”, já tem um cenário fiscal contratado muito pior do que o de 2015/16.

Não estou discutindo direita ou esquerda. Estou discutindo aritmética. Quando despesas obrigatórias crescem mais rápido que a receita, chega um momento em que o governo perde capacidade de escolher: todo o orçamento vira despesa carimbada.

Vejamos o que dizem pessoas-chave do (des) governo:

“Em 2027, pode faltar dinheiro para manter a máquina pública funcionando”, Simone Tebet, ex-ministra do Planejamento.

“País fica inviável sem moderação na pressão de despesas obrigatórias”, Dario Durigan, Ministro da Fazenda.

Vejamos por que até “os da casa” sabem que o modelo atual não fica em pé.

O último relatório do Tesouro Nacional prevê que o governo, mantidas as regras do “Gasto é Vida” atuais, não cumprirá a meta do natimorto Arcabouço Fiscal até 2030, que nunca foi cumprida desde 2023. Isto apesar da receita ter crescido absurdos 16% em termos reais, enquanto a despesa cresceu obscenos 22%. Com isso, a relação Dívida Pública x PIB pulou de 81% para 89%.

Para chegar aos números quase catastróficos do Tesouro Nacional, o PIB teria que crescer 2,5% a ano, a Taxa de Juros teria que desabar para 3% real (acima de inflação) ao ano, contra os 9% atuais, e a inflação deveria ficar nos 3% ao ano.

Como a chance de isto acontecer é a mesma de um choque de governança aconteça no partido dos trabalhadores que não trabalharam, no mundo real a relação dívida x PIB atingirá os 125% do PIB. Quem vai emprestar dinheiro para um (des) governo destes?

Resumindo, no hoje provável cenário da continuidade deste (des) governo, no máximo em 2028 não teremos mais, na prática, um governo, já que o Executivo não vai tem um centavo para emergências, investimentos, ou até para pagar a conta de luz dos órgãos públicos.

Este cenário já aconteceu várias vezes nos EUA. Lá foi resolvido aumentando o nível de endividamento. Como este endividamento é em dólares, que todo mundo quer, eles podem usar sempre o mesmo truque. No Brasil não funciona porque o país e o governo não têm credibilidade.

Sabendo que este (des) governo é declaradamente gastador, não podemos esperar nenhuma medida séria de redução dos gastos. A alternativa será deixar a inflação subir e corroer a dívida pública.

É neste país que você quer viver? É este país que você quer deixar para seus filhos e netos?

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