A irresponsabilidade fiscal, resumida como “Gasto é Vida”, acabou de avançar ainda mais. O que faltava para uma Nova Matriz Econômica 2.0 veio à tona. O Banco Central, apesar da inflação subindo, baixou os juros.
Tem alguma explicação para apagar fogo (inflação) com gasolina (juros)? A resposta é sim, mas leia até o final para entender melhor.
O Copom baixou os juros de 14,50% para 14,25%. Para quem está endividado, pagando uma taxa muito superior, a redução é a diferença entre cair do 10º ou do 9º andar. Para as expectativas do mercado, contudo, fez uma enorme diferença. A credibilidade do Banco Central foi seriamente arranhada.
Duas frases resumem a situação: “A mulher de César deve ser e parecer séria” e “a credibilidade sobe pela escada, mas cai pelo elevador”.
Um Banco Central com toda a diretoria indicada pelo (des) governo do “Gasto é Vida”, não deveria ter credibilidade nenhuma. A maioria do mercado tinha expectativas péssimas quando Gabriel Galipolo foi indicado para a presidência. Ele reverteu a imagem com decisões e manifestações tecnicamente corretas. Isso pode ir para o ralo.
O descontentamento não foi pela redução dos juros, mas pelas justificativas ou a falta delas.
O BC reconheceu que a inflação deve subir em 2026 e 2027 devido à atividade econômica mais forte do que o esperado, ao mercado de trabalho aquecido, aos estímulos fiscais e Bolsa Voto, além dos riscos das guerras no Irã e Ucrânia.
Com este cenário, no mínimo, deveria manter os juros atuais, para atingir a meta no final de 2027. Na justificativa, utilizou uma lógica dilmística: Não estabeleceremos meta, mas quando atingirmos a meta, dobraremos a meta. A previsão dos 3% foi empurrada para 2028.
Como não tem nada tão ruim que não possa piorar, nas justificativas usou argumentos contraditórios: riscos aumentaram, probabilidade é de alta, podem ser feitos outros cortes. Traduzindo para linguagem cotidiana: estou em uma estrada sinuosa, à noite, com pista escorregadia e, mesmo assim, vou acelerar.
O resultado imediato foi uma queda na expectativa dos juros no curto prazo, e um aumento no médio e longo, pelo medo do risco fiscal, leia-se calote.
Na atabalhoada explicação da decisão, o BC, para atingir a meta de 3%, poderia ter que diminuir os juros bruscamente em 2027, o que impactaria o crescimento do PIB, dos empregos e mercados.
Traduzindo para uma linguagem eleitoral: não podemos fazer nada que possa atrapalhar a reeleição do chefe.
O estrago já foi feito. O dólar subiu. Todos estão esperando a próxima reunião do Copom em seis semanas que, dependendo da decisão, pode enterrar de vez a independência do Banco Central.
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