NOVAS GUERRAS, VELHAS LIÇÕES.

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Por Ismar Roberto Becker

Generais sempre lutam as guerras passadas. Será esta a razão para a invasão da Ucrânia já ter durado mais do que a Primeira Guerra Mundial?

A Operação Militar Especial de Putin, começou a invasão da Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022. Os objetivos eram proteger as populações das regiões de Donetsk e Luhansk, desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia, impedir a expansão da Nato.

Depois de 1.570 dias, realisticamente, não parece que a operação que virou quase uma guerra de trincheiras, com a Primeira Guerra, não tem um final previsível a vista. Um não consegue ganhar, outro não pode perder.

A Rússia apostou, e quase todo mundo acreditou, que sua enorme capacidade militar não era páreo para a Ucrânia. Errou por dois motivos fundamentais:

– Vontade política: as guerras terminam quando um dos lados perde a disposição de continuar a pagar o preço, econômico e de pessoal.

Os EUA no Vietnã, e a URSS e os EUA no Afeganistão são bons exemplos. Geralmente que está se defendendo está disposto a pagar um preço político maior.

– Paradoxo tecnológico: a Rússia adotou uma estratégia convencional (tropas, tanques, mísseis). As percas materiais e de pessoal dela são absurdas. Algumas estimativas falam em uns 30.000 russos mortos ou gravemente feridos por mês.

A Ucrânia, que não podia resistir a esta guerra convencional, investiu pesados em drones aéreos, navais e terrestres. Inicialmente os usou o para se defender, nos últimos meses, está atacando alvos no interior da Rússia. Uns 20% da capacidade de refine de petróleo foram perdidos.

As tropas russas não podem se mover sem um risco de aniquilação. De certa forma, estamos assistindo a um cenário semelhante à guerra de trincheiras na França durante a Primeira Guerra.

O Ocidente superestimou o impacto das sanções econômicas à Rússia. O esperado colapso econômico não aconteceu, embora o estrago tenha sido grande. Uma indicação deste estrago é o chá de sumiço da Presidente do Banco Central russo, nas últimas semanas.

As perspectivas para um fim rápido da guerra não são otimistas.

Putin continua considerando a guerra estratégica para a Rússia, Zelensky não aceita uma paz que legitime conquistas territoriais russas; os aliados ocidentais ainda apoiam Kiev e os chineses, Moscou. Não existe consenso sobre um acordo aceitável.

Não tem nenhum ZOPA (Zone of Possible Agreement) no qual os dois lados cedem algo.

“Quando nenhum lado pode perder, alguém ainda consegue vencer?”

Fonte: “Ukraine’s war is now longer than the first world war” – The Economist.

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