TRUMP, IRÃ E A TARTARUGA

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Por Ismar Roberto Becker

Tartaruga não sobe em árvore. Caso você veja uma tartaruga em cima de uma árvore, deu enchente ou alguém a colocou lá. Quem colocou a tartaruga da trégua na guerra EUA – Irã na árvore?

Apesar do sucesso do Blitzkrieg da Operação Fúria Épica, contra o Irã, passadas algumas semanas, ficou claro que um lado não ganhou e o outro não perdeu.

Os EUA e Israel conseguiram matar as principais figuras da teocracia, destruir a Marinha e a Força Aérea Iraniana, mas não conseguiram alguns dos objetivos não oficialmente declarados de mudar o regime de governo, aniquilar o programa nuclear, acabar com a capacidade de reação do Irã.

Pior do que isto, abriu a porta para o Irã utilizar duas estratégias que não havia utilizado com medo de ser atacado: atacar vizinhos e fechar o Estreito de Ormuz.  Isto elevou o Irã ao nível de uma potência regional, com capacidade de criar uma crise econômica e energética mundial.

Os 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumido no planeta passam pelo Estreito de Ormuz. Uma boa parte dos subprodutos de petróleo utilizados em fertilizantes também.

A consequência imediata foi o aumento de combustíveis de carros, navios e aviões, que terão um impacto imediato no poder aquisitivo e na inflação mundial.

Apesar de ultimatos, palavrões e ameaças de acabar com a civilização iraniana, levando o país à Idade da Pedra, Trump não conseguiu nada.

Enquanto isso, a China, o maior comprador de petróleo do Irã, seguia o conselho de Napoleão: não interrompa seu inimigo quando ele estiver errando.

Só mudou de estratégia quando percebeu que colocar Trump em um beco sem saída forçaria o Irã a aceitar negociar com os EUA. O mensageiro foi o Paquistão, que tem uma grande dependência dos dois países.

Trump aproveitou a chance e anunciou uma trégua de duas semanas. No sábado (11 de abril), começaram as negociações de alto nível entre os EUA e o Irã.

Aprendi na escola de negociação de Harvard que, para fechar um negócio, é necessário ter um ZOPA (Zone of Possible Agreement). Na compra de um carro usado, seria uma área onde o preço mínimo que o vendedor está disposto a aceitar e o máximo que o comprador aceita pagar se sobrepõem.

Analisando o plano de 15 pontos propostos pelos EUA e os 10 do Irã, não há uma Zona de Possível Acordo.

Quem vai pagar a conta desta aposta errada do Trump?

Fonte: Iran: Was die Waffenruhe jetzt für den Krieg bebdeutet – Markuz Lanz – ZDFHeute Nachrichten.

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