SUCESSO DO COMUNISMO CUBANO

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Por Ismar Roberto Becker

Não tenho vergonha em mudar de opinião quando os fatos mudam. Diferentemente do que a mídia liberal divulga, Cuba é um sucesso econômico. Duvida?

Após perder a ajuda da URSS, o governo cubano entendeu que precisa de algumas ferramentas capitalistas. Criou a Gaesa (Grupo de Administração Empresarial S.A), que hoje controla mais de 40%, alguns falam até 70%, da economia da ilha. Seus ativos são estimados em mais de 15 bilhões de dólares. Como em Cuba tudo é do Estado, e o Estado é do povo, cada cubano tem perto de 1.400 dólares.

Os negócios da Gaesa vão de hotéis, passam por postos de gasolina, até supermercados. As joias da coroa, contudo, são o Banco Financiero Internacional, que controla as reservas do país, e a CIMEX, que tem o monopólio das transferências internacionais.

Claro que não dá para comparar este sucesso de um modelo comunista, mas, guardadas as proporções, podemos dizer que se a China é o dragão do Oriente, Cuba é o dragão do Caribe. Talvez seja por isso que Trump quer derrubar o regime cubano. Deve estar de olho no patrimônio da Gaesa, que pertence ao povo cubano.

O negócio, que já é o coração econômico de Cuba, tem algumas características peculiares, mas que funcionam.

O primeiro líder da Gaesa foi um general, sucedido por uma generala quando faleceu.

Os sócios e a maioria dos poucos gestores são ilustres desconhecidos.

Não publicam balanços, nem prestam contas para o governo, já que tudo é do povo.

Não tem ações na Bolsa, até porque não tem Bolsa em Cuba. Isto dá tranquilidade para os gestores em planejar a longo prazo.

Não tem um e-mail corporativo, nem site.

Quem pode questionar um negócio destes, fundado em 1990? Por que a Economist, ou o Wall Street Journal, não divulgam este modelo de sucesso? Por que os professores de Harvard ou do INSEAD não escreveram um case que pudesse servir de exemplo para outros modelos comunistas?

A resposta é simples.

A Gaesa é só mais um caso bem-sucedido da ClePTocracia dos regimes de esquerda. O primeiro presidente da empresa foi genro de Raul Castro. Quem manda hoje é o neto dele. Sem dúvida, um bom exemplo de sucessão em uma empresa familiar, que foi fundada, por razões estratégicas, para proteger o povo cubano.

Enquanto quase 90% dos cubanos vivem abaixo da linha da pobreza, e 7 entre 10 não fazem as três refeições, o clã Castro se locupleta.

Que tal cobrarmos os 682 milhões de dólares emprestados (sic!) pelo BNDES para o porto de Mariel, que pertence a Gaesa?

Será que por isto que os clePTocratas brasileiros gostam tanto de estatais?

Fonte: “The Military Company Runnig a Paralel State” – Financial Times.

#ismarbecker #Cuba #Socialismo #Comunismo #Economia #desigualdade

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