SUCESSÃO OU DISPUTA PELO TRONO?

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Por Ismar Roberto Becker

A empresa familiar leva para dentro dela conflitos que nasceram muito antes dela. É possível mitigar este problema?

Comecei minha carreira em uma empresa de gestão, não propriedade, familiar. Durante uns dez anos, criei uma atividade quase paralela nas exportações do Grupo Oxford.

Em uma combinação de estar no lugar certo, na hora certa e um pouco de talento, consegui ajudar a empresa a distribuir pratos e xícaras produzidos em Santa Catarina para mais de 90 países.

Uma outra vantagem é que isto me permitiu atuar em quase uma empresa paralela, sem competir com meu pai, que era o presidente executivo e do conselho.

A harmonia durou mais de 10 anos, até a lógica da rivalidade natural de pai/filho se impôs.

Uma das primeiras histórias desta rivalidade vem da mitologia grega, no conflito entre o pai Urano, que queria manter o poder, e o filho Cronos, que, estimulado pela mãe, queria tomá-lo.

Cronos queria separar-se da autoridade paterna; contestar ordens recebidas; conquistar autonomia; ocupar o lugar da geração anterior. Como a mãe deveria ter muita raiva do pai, convenceu Cronos a castrar e matar o pai, para não ter concorrentes e se diferenciar.

Como acontece comumente na política, assim que chegou ao poder, Cronos tornou-se um obcecado pelo poder. Com medo de que um dos filhos fizesse com ele o que fez com o pai, devorou seus filhos.

A história teve um fim feliz porque Zeus, um dos filhos, consegue escapar para enfrentar o pai, obrigando-o a devolver os irmãos.

No dia a dia das empresas familiares, não chegamos à brutalidade da mitologia grega, mas podemos ver os seguintes comportamentos nos players:

O pai segue a lógica de que, se soube construir, sabe preservar. Esta conclusão é baseada na identificação com o negócio, na autoridade baseada na sua história, no conhecimento intuitivo do negócio, na dificuldade de separar patrimônio, empresa e identidade, na expectativa de reconhecimento e gratidão.

Os filhos, com mais força o primogênito, já têm um patrimônio; o sobrenome, as expectativas dele e dos outros, as comparações com o pai, os conflitos com o restante da família.

Como não consegui administrar estes conflitos, decidi sair da empresa e começar meu próprio negócio. A razão principal foi preservar a relação familiar. Alguns anos depois, falando com meu pai, disse que tinha me arrependido de ter saído.

A reação dele foi imediata: “Eu te avisei”. Eu completei: me arrependi de ter saído tão tarde. Se ele não estivesse em uma cadeira de rodas, eu teria que sair correndo.

Como você administra estes conflitos? Tens alguma história pitoresca para nos contar?

Fonte: “O Fim da Liderança Autoritária: O que vem agora?”– Maria Homem – Amado Mundo.

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