QUEBRADEIRA GERAL NO BRASIL

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Por Ismar Roberto Becker

O Brasil quebra antes ou depois das eleições?

Antes que me apedrejem, tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que o Brasil não vai quebrar. A má, ou realista, é que, além das empresas e pessoas físicas que já quebraram, muitas outras ainda vão quebrar.

Quebra quem gasta mais do que ganha. Vale para governos, empresas e famílias. Quando o dinheiro acaba, pedem emprestado. Como os bancos temem não receber, aumentam os juros.

Duas teorias explicam a situação:

– RENTISMO: os juros são altos para remunerar os rentistas da Faria Lima, que pressionam o Banco Central a perseguir uma meta de inflação muito baixa: 3%. São os ricos tirando dos pobres.

– IRRESPONSABILIDADE FISCAL: o governo gasta sem controle (Gasto é Vida) e precisa rolar a dívida. Disputa dinheiro com empresas e famílias. Pela lei da escassez, quando a procura aumenta, o preço do dinheiro e os juros sobem. Se baixar os juros na marra, o dinheiro some.

Os economistas também oferecem duas soluções contraditórias:

– HETERODOXA: o governo deve atender às necessidades sociais. Se a conta não fechar, busca mais dinheiro no mercado.

Como nossa dívida está quase toda em reais, moeda que o Estado emite com exclusividade, o governo poderia se endividar quase sem limites. O limite seria a inflação. Ela reduz o poder de compra, derruba a popularidade e pode fazer o governo perder as eleições. Como a meta é de apenas 3%, seus defensores acham que um pouco mais de inflação não faz mal. Este é o populismo disfarçado de Keynes.

– ORTODOXA: governos, empresas e famílias não podem gastar permanentemente mais do que ganham. Empréstimos para investimentos ou emergências são aceitáveis, desde que as prestações caibam no orçamento. Esta é a posição dos que defendem políticas contracíclicas, de acumular nos tempos de vacas gordas para gastar nos de vacas magras.

Desde 2008, quando o Aiatolá de Garanhuns disse que a crise mundial chegaria ao Brasil como uma “marolinha”, os (des) governos heterodoxos (Nova Matriz Econômica e Gasto é Vida) produziram o seguinte rombo:

– Carga tributária: de 35,8% para cerca de 34,3% do PIB. Só não aumentou, apesar dos aumentos de impostos, por causa da farra de subsídios e isenções para empresas e setores não competitivos. Quem mais critica as renúncias fiscais foi quem mais deu e as mantém.

– Despesa geral do governo: aumentaram de uns 38% para 46,9% do PIB.

– Investimento: já era baixo, 0,8% do PIB, e caiu para 0,4%. A previsão é que seja zerado em um ou dois anos.

– Dívida bruta: explodiu de 58,6% para 81,9% do PIB no mês passado.

Desde a “marolinha”, o Estado ficou maior, mais rígido e mais endividado. A arrecadação cresceu, mas continua correndo atrás de despesas que aumentam automaticamente.

Pior: em caso de reeleição, teremos mais do mesmo.

Como você vai se proteger desta crônica da morte anunciada?

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