POBRE DE DIREITA DERROTA PT

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Por Ismar Roberto Becker

Trabalhador não quer proteção, quer oportunidade de crescer. Por que isto pode decidir as eleições?

Uma combinação de apego ao passado, miopia das mudanças das expectativas da população, com uma pauta identitária (woke), pode ter atingido o projeto da perpetuação no poder do lulopetismo.

Era uma vez um filho de retirante da miséria que veio para São Paulo para começar uma carreira política única na política brasileira. Sobreviveu a doenças, alcoolismo, prisão, retornando à Presidência pela terceira vez, marcado por um populismo resumido na frase “Gasto é Vida”.

O que justifica sua derrota, que poucos previram, no primeiro turno, e sua caminhada acelerada para a derrota no segundo turno?

Excluindo os bodes expiatórios, como campanha ruim e primeira-dama (sic!), vamos aos sete fatores da decadência da seita messiânica de Garanhuns.

  1. Direita é maior do que bolsonarismo. Nem todo eleitor de direita é radical ou seguidor de uma família.
  2. Novo trabalhador: esquerda continua falando com o trabalhador que pretende proteger, mas perdeu conexão com o trabalhador que quer ascender. Regras da CLT garantem sobrevivência, mas limitam crescimento.
  3. Estado protetor: Estado é cobrador de impostos, atrapalha com o excesso de burocracia, presta maus serviços, principalmente segurança. Causa indignação que alguns trabalhem muito para que muitos vivam das benesses do Estado.
  4. Agenda Identitária (wokismo): pautas identitárias (LGBT, minorias, ambientalismo, antireligião e linguagem neutra) atraem minorias, mas podem agredir segmentos conservadores e populares. Quantos votos o candidato “L” perdeu com os 1,5 milhão de votos da Erika Hilton?
  5. Esgotamento gratidão: programas sociais já são considerados direito adquirido. Não dá para continuar cobrando voto por conquistas do passado. Esquerda esqueceu que Maslow ensinou que, após atendidas as necessidades fisiológicas e de segurança, vêm as sociais e de estima.
  6. Pobre de direita: pobre tem que ser de esquerda, diz a teoria da luta de classes. Valores, religião, segurança, autonomia e expectativas de futuro não justificam não votar no pai dos pobres moderno. Pior é o pobre que empreende, tem orgulho do seu pequeno negócio, desqualificado pela esquerda como “CEO da MEI”.
  7.  Minorias decidem eleição: trabalhadores autônomos, pequenos empresários, profissionais de aplicativos e moradores das periferias se aproximam da direita por razões econômicas, culturais e políticas. Felipe Nunes (Brasil no Espelho) encontrou uns 5% de Liberais Sociais (viúvas do PSDB) e outros 5% de Empreendedores Individuais.

O Brasil mudou, em parte pelas políticas sociais da esquerda. À esquerda, principalmente o Aiatolá de Garanhuns, não enxergou as mudanças.

Ainda dá tempo de corrigir o rumo?

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