O PAÍS DA MEDIOCRIDADE

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Por Ismar Roberto Becker

O que acontece quando o poder deixa de ser exercido pelos mais capazes e passa às mãos dos menos qualificados moral ou intelectualmente?

Bem-vindo à Cacocracia brasileira. O governo dos maus, ruins, incompetentes, dos perversos, que tem as seguintes características:

Líderes incapazes de tomar decisões estratégicas. Destruição da meritocracia. Loteamento político de cargos e do orçamento. Linguagem infantilizada. Propaganda assume a gestão. Perseguição competente. Culto à personalidade. Inchaço da máquina pública. Polarização extrema (nós x eles).

Combinando tudo isto com uma elevadíssima dose de corrupção, temos um triste retrato do Brasil.

Pior do que isto: nenhum dos dois principais candidatos à presidência apresenta propostas, nem tem ficha limpa para mudar esta situação.

O que está no poder tem um currículo mais sujo do que pau de galinheiro. O jovem, que se apresentava como alternativa mais moderada do pai, tropeça diariamente nas mentiras para justificar uma relação duvidosa, no mínimo, com um dos maiores golpistas do país. Isto sem contar um currículo de rachadinhas e compra de uma mansão sem ter lastro.

Mesmo mergulhados neste mar de lama, as intenções de votos dos dois é de 81% no primeiro turno e mais de 90% no segundo. Resumindo, estamos condenados à continuidade da mediocridade velha, ou a uma jovem, mas só com sinal oposto.

Por que a maioria dos brasileiros se sujeita à mediocridade?

Um pensador do século XVII e dois do século XIX nos dão algumas pistas.

Espinosa disse que os homens são raramente guiados pela razão, mas por paixões, medos e esperanças. Por isso aceitam manipulação, renunciam à liberdade, buscam salvadores, mesmo que incompetentes ou corruPTos. As massas são pelos afetos, não pela verdade.

Tocqueville ensinou que o medíocre ridiculariza o conhecimento, foge da independência intelectual, oPTando pela obediência emocional, vivendo em tribos. O medíocre prefere cercar-se de inferiores para não ser ameaçado. O preço para viver em uma sociedade livre é muito alto porque exige competência, responsabilidade e reputação.

Nietzsche mostrou que muitos não só aceitam, como premiam a mediocridade em troca de um teórico conforto, conformismo e ressentimento. Transformam fraqueza em virtude; demonizam força e excelência; passam a odiar quem se destaca. Preferem chefes de seitas simplistas, populistas, apelativos. Não têm ambições, são avessos ao risco, tornando-se emocionalmente anestesiados.

Uma grande parte dos brasileiros vota por viver em uma servidão voluntária. Aceitam a dependência do Estado, relativizam a corrupção, toleram a ineficiência em troca de uma dependência moral e financeira. Se contentam com migalhas pelo medo de correr riscos.

Esta armadilha tem saída?

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