O dinheiro determina quais guerras acontecem, quanto duram e quem vence. Como o dinheiro está definindo as guerras atuais?
Para fazer uma guerra, é preciso três coisas: dinheiro, dinheiro e mais dinheiro, é uma frase atribuída a Napoleão. A jornalista alemã Ulrike Herrmann, crítica ácida do capitalismo, aprofundou o tema em seu último livro “Dinheiro como arma”.
Ela resume que todos os insumos da guerra (homens, armas, logística, tecnologia, munição) exigem dinheiro, que é a arma de todas as armas.
Aplicando essa lógica à invasão da Ucrânia, ela diz que a Rússia é um regime autoritário, com modelo econômico dependente de petróleo e gás e outras matérias-primas básicas, e que precisava reforçar sua validade encontrando um inimigo externo. A Ucrânia, um grande player no mercado mundial de commodities agrícolas, era o candidato ideal.
Por outro lado, ela destaca que a Europa, que viveu o chamado dividendo da paz, com sua segurança paga pelos EUA, apostou que o comércio entre os países gera a paz, que a interdependência reduz conflitos e que a globalização torna as guerras improváveis.
Putin não levou essa lógica em consideração. Com a economia estagnada, precisava de um inimigo externo e invadiu a Ucrânia. A Europa, especialmente a Alemanha, retaliou suspendendo a compra de gás e petróleo russos.
Quatro anos depois, com uma ajudazinha de Trump, que ameaçou parar de financiar a OTAN, a Europa está tendo que se rearmar com dinheiro que usou para pagar por um estado de bem-estar social, que agora é impagável.
O resultado parcial é uma coleção de governos fracos, especialmente o alemão, e a Rússia com uma economia em frangalhos, cada vez com menos dinheiro para bancar a guerra que acreditou que seria um passeio nos parques de Kiev.
Embora o livro tenha sido escrito antes dos ataques ao Irã, pelos EUA e Israel, podemos pegar uma carona na tese central, para prever as consequências para o mundo, especialmente a Europa, com petróleo e gás mais caros, bem como para os EUA, onde o preço da gasolina é um nervo exposto, que determina eleições.
Putin está cada vez mais em um beco sem saída. Perde mais de 30.000 homens por mês, mais do que consegue recrutar. A Ucrânia desenvolveu drones que chegam cada vez mais longe no território russo, destruindo uma boa parte das refinarias de petróleo, praticamente a única fonte de renda para continuar a guerra. Cada dia que passa, seu poder diminui.
No lado dos EUA, Trump apostou que tinha armas e dinheiro. Deu certo na Venezuela. Está dando tremendamente errado no Irã. Cada dia que passa, ele perde apoio na sua própria base. A continuar, deverá sofrer uma derrota humilhante nas eleições legislativas.
A falta de dinheiro ou paciência do povo vai determinar o fim destas duas guerras?
Fonte: “Geld als Waffe” – Ulrike Hermann.
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