Como você terminaria a frase acima? Com um ponto de exclamação (!) ou de interrogação (?)
Tentei buscar a resposta nos dois dias do Fórum de Liberdade, em Porto Alegre, e no estudo ‘Caminhos do Desenvolvimento: Estabilizar, Crescer, Incluir’. Veja as conclusões e apostas.
DIAGNÓSTICO
O Brasil está em um círculo vicioso de desequilíbrio fiscal, ineficiência de políticas públicas e baixa produtividade. O desequilíbrio fiscal gera inflação, que exige juros altos, que afeta mais os pobres e beneficia os ricos.
Diferentemente das promessas populistas do Bolsa Voto, que atingem mais de 100 milhões de brasileiros, a inclusão dos pobres só acontece com o crescimento sustentado, e não há crescimento sustentado sem estabilidade fiscal, política e legal.
Os realistas lembram do desastre da Nova Matriz Econômica, que gerou a maior recessão desde a crise de 29, o maior desemprego e a maior inflação do Real. Se não fosse pelo Banco Central independente, que aumentou os juros, estaríamos colhendo os mesmos resultados.
O (des) governo que acaba em 2026 criou uma armadilha fiscal com o aumento real do salário-mínimo somado à indexação dos benefícios sociais, dos pisos de Saúde e Educação e o aumento do Bolsa Voto.
Nestes quatro anos perdidos, deveremos ter um crescimento artificialmente turbinado pelo Gasto é Vida, de uns 11%, enquanto os gastos subiram23%. Não tem matemática que aguente isto. A bomba vai estourar em 2027 ou 28.
Olhando este diagnóstico, temos que dizer que o Brasil NÃO tem solução!
OPORTUNIDADES
Vejo duas oportunidades para tirar “não” da frase acima:
– Brasileiros: o Brasil é o país do futuro, é o título de um livro de Stefan Zweig, de 1941. Muito mudou desde lá, mas continuamos um projeto inacabado. Temos que entender o passado e o presente, por isso não vislumbramos o futuro.
O povo brasileiro é trabalhador, criativo, resiliente, sabe viver com escassez. Por outro lado, tem vícios como o personalismo, patrimonialismo, corporativismo e, mais recentemente, do maniqueísmo (nós x eles). Tudo isto compõe o “jeitinho brasileiro” que, como uma moeda, tem lados.
– Crise: nossa história tem poucas rupturas. Quando chegamos perto do precipício, engatamos a marcha ré. Foi assim em 1964 e 2016, só para ficar no passado recente.
SOLUÇÕES
Um estudo do Centro de Debates de Políticas Públicas propõe três frentes de ações:
– Moderar o crescimento dos gastos, com desvinculação dos aumentos do salário-mínimo aos gastos sociais, como BPC, Defeso, Fundeb.
– Aumento da produtividade, com aprofundamento da Reforma Tributária, parcerias no saneamento básico, marco regulatório do setor elétrico, uma revisão profunda da educação.
– Gastos sociais: consolidação de programas com cláusula de saída. Não podemos criar dependentes do Estado.
O Brasil tem jeito?
Fonte: “O Brasil Tem Jeito” – Fórum da Liberdade; “Há saída para a Economia Brasileira”, Samuel Pessoa – Folha de São Paulo – 11/abril.
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