O BRASIL NA CONTRAMÃO

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Por Ismar Roberto Becker

A reunião do G7 focou nas ameaças à segurança econômica do planeta, que determina a qualidade de vida dos humanos. O Brasil, ou melhor, quem está no poder no Brasil, tem outra pauta. Quem vai ganhar?

Uma vez peguei uma carona com um alto executivo no seu jatinho, com outros seis megaempresários. Eu era diretor de uma média empresa. Consciente da minha insignificância, ouvi muito mais do que falei. Quando falei, fui econômico com as palavras.

Lembrei da cena quando li sobre a participação, como convidado do Brasil na reunião do G7.

Um narcisista, com claros sinais de senilidade, sem saber onde está, com quem está falando, envergonhou o Brasil. Deve-se destacar que não é a primeira, e não será a última, que fez o Brasil passar por palhaço prepotente.

O foco do G7 foi discutir segurança econômica, minerais críticos, nos quais o Brasil pode ser uma potência; inteligência artificial; resiliência das cadeias produtivas; competição estratégica com a China.

O imperador brasileiro focou na reforma da governança global, utopia de ser membro do Conselho de Segurança da ONU; financiamento ao desenvolvimento, com distribuição sem controle de dinheiro; combate à fome; clima; fortalecimento do multilateralismo e da Organização Mundial da Saúde.

O Brasil votou favoravelmente às propostas sobre o combate ao câncer e ao narcotráfico. Nesta última, desde que as quadrilhas de traficantes não sejam consideradas terroristas. Afinal de contas, são nossos (dele) criminosos, que não podem ser punidos por estrangeiros.

O Brasil, dominado pela clePTocracia, que vive em um mundo de antes da queda do Muro de Berlim, votou contra parcerias internacionais para o desenvolvimento com governança, sobre o surto de ebola no Congo e Uganda, sobre os desequilíbrios macroeconômicos (leia-se dumping chinês), sobre a migração descontrolada, e os minerais críticos, hoje totalmente controlados pela China.

Em resumo: encarnou o papel de grande (sic!) líder do Sul Global.

A inutilidade das posições do Brasil pode ser medida pelas reações dos outros líderes presentes. Os poucos que ouviram não falaram nada. Foi como aquele parente indesejado que flatula no meio da festa e todos fingem que não sentiram o odor.

Emprestarei uma declaração icônica de Carlos Lacerda sobre a candidatura de Getúlio Vargas nas eleições de 1950: “Não pode ser candidato. Se for candidato, não pode ser eleito. Se eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”.

Quando vamos parar de passar vergonha no mundo? Quando vamos parar de ver o país sendo arruinado?

Fonte: “Brasil diverge da maioria dos documentos do G7” – Folha de São Paulo – 17/06.

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