Ser ou não ser sucessor. Eis a questão difícil de responder. Por que alguns decidem não ser sucessores?
Era uma vez um candidato favorito para assumir o comando de uma empresa multifamiliar. Depois de quase 20 anos de uma carreira razoavelmente bem-sucedida, sem muitos concorrentes na corrida da sucessão, ele decide pedir o boné para começar uma carreira solo.
Este ex-futuro sucessor é o escriba destas mal traçadas linhas, que tentará responder à pergunta que me foi feita em uma recente reunião.
Por que você saiu?
Pensei em responder como o presidente Jânio Quadros: “fi-lo porque qui-lo”, quando renunciou à presidência. Seria muita presunção. Sendo absolutamente transparente, na época, nem eu sabia bem o porquê.
Pedi um tempo para pensar.
Encontrei as respostas nas lições que aprendi no começo da minha carreira com o Prof. João Bosco Lodi, um dos precursores da gestão de empresas familiares no Brasil.
Nas muitas conversas que tivemos, aprendi que o conhecimento técnico é importante, mas uma visão holística da vida é fundamental. Ele dizia que o sucessor tinha que ser tecnicamente competente e, também, intelectualmente profundo. Ser quase um renascentista, buscando conhecimento em leituras fora dos negócios, viagens, visitas a museus, conhecendo pessoas e culturas diferentes.
Fazendo um “fast forward”, décadas depois, graças ao LinkedIn, encontrei o segundo pilar da gestão de empresas no Brasil, que me atrevo a chamar de amigo, Renato Bernhoeft.
Com ele aprendo que é necessário ter uma formação humanista para buscar a perenidade do negócio.
Que é necessário ir além da técnica, das finanças, do marketing.
Que é necessário entender o mundo ao nosso redor, e o que está longe, para fazer os ajustes que a realidade nos impõe.
Que tem que aprender que a vida não se resume ao negócio. Pena que aprendi tarde.
Que você tem que sair da bolha da família para romper com o viés cognitivo.
E, last but not least, que você tem que ser um eterno Lifelong Learner.
Embora na época não soubesse fundamentar por que decidi pular na água, já faz muito tempo que tenho a resposta:
Saí da bolha da família. Saí da bolha cultural. Sempre busquei, nem sempre com sucesso, ter uma visão holística da vida e dos negócios.
E você? Já decidiu ser ou não ser?
Fontes: Lições dos grandes mestres João Bosco Lodi e Renato Bernhoeft.
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