A longevidade das empresas depende muitas vezes de uma pessoa. Como as decisões desta pessoa podem afetar a empresa e os que gravitam em torno dela?
Recentemente estive em uma empresa líder do setor, muitíssimo bem-sucedida. Seu fundador esteve à frente do negócio, tomando decisões ousadas, até depois dos 90 anos, com uma vitalidade que alguns já não têm com 60.
Seguindo a lei da finitude, um dia ele se foi.
Deixou um legado brilhante e uma equipe executiva bem-preparada para o dia a dia, mas a estratégia foi com ele para o caixão.
Passei um dia conversando com os familiares e principais executivos, que têm o curto e médio prazo sob controle, mas não conseguem enxergar uma estratégia de longo prazo.
Esta situação me lembrou uma recente coluna da Renata Vichi, na Folha de São Paulo, com o título “Longevidade começa em quem lidera”, que se aplica bem (ou mal?) à empresa que visitei.
Fechar bem o trimestre é importante. Mas de que adianta bater a meta hoje e enfraquecer a empresa para amanhã? Quem quer construir um negócio duradouro precisa olhar além do próximo balanço.
Durar exige mudar. Rever estratégias, produtos e formas de trabalhar, preservando os valores. O famoso “sempre fizemos assim” pode virar um belo epitáfio empresarial.
E quem lidera também precisa se cuidar. Cabeça cansada, noites mal dormidas e agenda sem espaço para pensar favorecem decisões tomadas no susto. Sono, exercício, família e descanso fazem parte da responsabilidade de quem decide.
Uma empresa dependente de um herói cansado está correndo risco. Formar gente, delegar decisões e preparar sucessores é trabalho do líder. Agarrar-se ao comando pode alimentar o ego, mas deixa o futuro do negócio pendurado em uma pessoa.
A longevidade se constrói nas escolhas de todos os dias: enfrentar aquela conversa adiada, desenvolver um talento, rever uma decisão e reconhecer os próprios limites.
Se tudo depende de você, quem está preparando o amanhã?
Fonte: “Longevidade começa em quem lidera” – Renata Moraes Vichi – Folha de São Paulo.
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