CRÔNICA DO CALOTE ANUNCIADO

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Por Ismar Roberto Becker

O Brasil está a um passo do abismo fiscal. O plano é dar mais um passo à frente. Não acredita? Quer evidências?

No clássico “A Crônica da Morte Anunciada”, de Gabriel García Márquez, todos sabiam que o personagem principal seria morto. No Brasil, todos que não são terraplanistas econômicos sabem que a trajetória do Gasto é Vida é insustentável.

Até pouco tempo, muitos apostavam que, antes de cair no abismo, como no desastre dilmístico da Nova Matriz Econômica, alguém engataria a marcha ré. Eu também acreditava. Declarações de próceres deste (des) governo, nas últimas semanas, enterraram minha aposta.

Não é uma opinião. É um caminho quase inevitável. Vamos aos fatos.

A APOSTA

Depois de Keynes, que sugeriu empregar pessoas para cavar buracos, e mais pessoas para fechar os buracos cavados, sua teoria falida foi aperfeiçoada. Passamos do Keynesianismo para a Teoria Monetária Moderna.

A TMM, negando a lei da gravidade econômica, diz que um governo que tem dívida na moeda que emite não precisa se preocupar com gastos. Se faltar dinheiro, basta imprimir papel colorido para cobrir o rombo.

A lógica da multiplicação dos pães e vinho é simples. Gastos estatais injetam dinheiro no mercado. O Estado pega de volta uma parte deste dinheiro como imposto. Se este imposto não for suficiente, põem a maquininha para imprimir mais dinheiro para injetar no mercado, girando a roda.

Isto funciona até que a inflação saia do controle, a moeda se desvalorize, os juros dos títulos públicos tenham que ser aumentados, com vencimentos cada vez mais longos e, inevitavelmente, a relação dívida/PIB exploda.

AS FERRAMENTAS

A história nos ensina a caixa de ferramentas aberta quando a bomba explode. Algumas já estão sendo engraxadas. Veja algumas declarações dos que estão à frente do projeto de acabar com o real, contra o qual eles votaram em 1994.

“Qual risco? De não pagar a dívida? Mentira. Nossa dívida é toda em reais, numa proporção razoável do PIB. Ainda temos as reservas internacionais, deixadas pelo PT” – Gleisi Hoffman.

“O Brasil emite sua própria moeda e sua dívida está praticamente toda denominada em reais; portanto, não enfrenta o mesmo risco de insolvência de um país que deve em dólares” – Dario Durigan – Ministro da Fazenda.

“Nós não faremos nenhuma medida que vise controle de capital no país” – Edinho Silva, presidente do pt (em minúscula), para desmentir o coordenador do Plano de Governo do partido. Uma pista: foi o presidente da Petrobrás que quase quebrou a empresa.

O ROTEIRO DO CALOTE

Este é o roteiro do festival de besteiras econômicas de um eventual (des) governo clePTocrata 4.0:

Arcabouço Fiscal 2.0 não controla gastos → inflação → desvalorização do real → mais inflação → baixar os juros na marra → alongar compulsoriamente os prazos de vencimento das dívidas → fim da conversibilidade → congelamento de depósitos → impeachment.

Vamos assistir à Crônica do Calote Anunciado?

#IsmarBecker #Economia #juros #inflação #populismo #DívidaFiscal

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