Donald Trump não entendeu até agora o que significa esta tal de Armadilha de Tucídides, que o ditador Xi Jinping jogou em sua cara. Vamos ver o que isto significa para a geopolítica internacional?
Um provérbio da sabedoria popular nos ensina que cachorro que late não morde. Os americanos adaptaram este provérbio para TACO (Trump Always Chickens Out): Trump sempre amarela.
A coleção de “amareladas” vai de querer anexar o Canadá e a Groenlândia, humilhar convidados na Casa Branca, colocar datas limite para adversários, para revogá-las em cima da hora.
Para dizer a verdade, algumas poucas ameaças ele cumpriu, contra adversários fracos como a Venezuela e líderes (sic!) fracos como os da Alemanha, França, Reino Unido e Colômbia. Outros, como o Aiatolá de Garanhuns, ele conseguiu enrolar porque tem muito interesse nos minerais raros. Isto explica a “química” entre eles, catalisada pelo açougueiro petralha.
Nesta semana, ele encontrou um adversário bem mais sábio, que mudou as regras do jogo.
Quando chegou à China, ele já sabia que não tinha muitas cartas para o jogo. Após ameaçar a China, amarelando na última hora, tentou cativar o interlocutor com elogios mais falsos que títulos do banco Master.
O oponente não caiu no conto de sereia, porque um conterrâneo, Sun Tzu, já escreveu milênios atrás que “aquele que precisa demonstrar força excessivamente talvez não tenha consolidado sua posição”.
Tucídides foi um historiador grego que previu que o crescimento de poder de Atenas forçou Esparta a se preparar para a guerra. O resultado foi a guerra do Peloponeso, que Homero contou no clássico “Ilíada”. Atenas não queria perder a hegemonia, enquanto Esparta não podia arriscar ser invadida.
Em “Destined for War”, o historiador Graham Allison lista 16 casos de armadilhas de Tucídides, dos quais 12 foram resolvidos por guerras. Alemanha x Reino Unido, Japão x EUA, Portugal x Espanha, são alguns exemplos.
O recado de Xi, um gigante com pés de barro, para Trump, um anão enterrado no barro, foi claro: não mexa comigo, Taiwan é parte da China. Mais cedo ou mais tarde, vamos à ilha.
O amarelão não estava preparado para esta declaração. Até hoje ainda não sabia a placa do caminhão que o atropelou, muito menos quem foi este tal de Tucídides. Pode ter ligado para o amigo químico, que mal sabe quem foi seu colega de profissão, Lampião.
A Armadilha de Tucídides hoje não é a ascensão chinesa, mas o medo dos EUA, (des) governados por um alucinado, da ascensão chinesa.
Como fica a república Master neste cenário?
Fonte: “Destined for War – Can America and China escape the Thucydides Trap?” Graham Allison.
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