Os Brics queriam desafiar a ordem econômica e democrática das democracias liberais ocidentais. Como vai o projeto, dominado pela maior ditadura do planeta?
BRIC foi um acrônimo criado por Jim O’Neil em 2001 para agrupar quatro economias (Brasil, Rússia, Índia, China) candidatas a potências econômicas. Mais tarde, foi incluída a África do Sul e o grupo ficou conhecido como BRICS.
Neste período, a China multiplicou o PIB por 14, a Índia por 7, a Rússia, o Brasil por 4, a África do Sul por 3. Sem entrar em detalhes, os dois retardatários foram dominados, na maior parte do tempo, por governos populistas cleptocratas. A Rússia também, mas lá o butim é muito maior.
A partir de 2006, o que era somente uma sigla começou a se tornar um projeto de crescimento econômico. Com o tempo, tentou ser um projeto geopolítico alternativo ao Ocidente.
China tornou-se o mais igual entre os iguais, por representar uns 68% do PIB do grupo. Como a melhor forma de dominar é dividir, a China forçou a entrada do Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes.
O que já era uma mistura de cobra com jacaré virou um ornitorrinco, mamífero aquático que põe ovos, sendo o único da espécie. Como o grupo não consegue chegar a um acordo sobre quase nada, vale o que quer aquele que paga a conta.
Especialistas em geopolítica projetam três cenários para o Brics:
- Bloco Geoeconômico alternativo
É o sonho do Sul Global, principalmente de um presidente narcisista da América do Sul. O peso econômico do grupo praticamente garante isto. Na verdade, contudo, quando um dos sócios representa 68% do PIB conjunto, o grupo serve só para reforçar este sócio.
- Fórum Político Simbólico
Os encontros regulares continuarão com pautas de interesses geopolíticos conflitantes (China x Índia) e geoeconômicos distintos (Rússia, Brasil e África do Sul). Seria uma espécie de mini ONU, onde todos falam, mas um decide.
- Fragmentação ou perda de relevância
Dois dos membros são párias internacionais, praticamente exilados nos seus países. Quando a ficha dos outros cair sobre seu papel secundário, alguns podem tomar o rumo da Argentina que foi convidado, mas nem entrou. O Brasil pode ser um deles.
O BRICS é uma alternativa real ao Ocidente ou apenas um condomínio de potências com interesses incompatíveis?
Fonte: “Has BRICS given up on challenging Western economic dominance?” – The Bottom Line – Al Jazeera English.
#ismarbecker #geopolitica #brics #ordemglobal #economiapolitica #relacoesinternacionais #estrategia #geoeconomia



