Quando uma organização depende mais da autoridade do líder, que não escolheu sucessor, do que de regras institucionalizadas, a sucessão pode levar ao colapso.
O destino do PT sem Lula será o mesmo ao da Iugoslávia sem Tito?
O Marechal Tito, um dos heróis na luta contra o nazismo, conseguiu a proeza de manter unidos seis repúblicas, mais duas províncias autônomas, do fim da guerra até 1980, quando faleceu.
Esses oito Estados eram compostos por etnias, religiões, distintas, idiomas semelhantes, mas com fortes traços locais, fruto do milenar conflito entre cristãos e muçulmanos. Historiadores explicam o prestígio de Tito pela atuação na guerra, pelo controle que exercia sobre o partido comunista e por manter uma economia relativamente estável.
Após uma guerra fratricida, o que era um país transformou-se em seis países, e mais um que ainda não é reconhecido por ditaduras como China e Rússia.
Pegando uma carona nos ideólogos (sic!) do progressismo, que acreditam que a história se repete, a similaridade entre o Aiatolá da antiga Iugoslávia e de Garanhuns é preocupante.
Calma, que não estou prevendo uma guerra no Brasil, mas aposto que haverá uma disputa fratricida pelo poder, ainda no dia do velório.
O pt (agora em minúscula) é um amálgama (colcha de retalhos) de sindicalistas, intelectuais, esquerdistas caviares, movimentos sociais, oportunistas eleitorais, barnabés, dinossauros ideológicos, que ainda sonham com o comunismo utópico. Sem o líder infalível, no delírio deles, o castelo de cartas desaba.
Instituições fortes sobrevivem aos seus fundadores. Instituições personalistas sobrevivem apenas enquanto o fundador consegue arbitrar seus conflitos internos. Quem seria este árbitro dos conflitos?
Para os que apostavam no Taxad, em um claro ato falho, no lançamento da campanha, o eterno candidato deixou escapar: “Para ser candidato à presidência, o Haddad precisa primeiro ser governador de São Paulo e fazer dois bons mandatos”.
A pergunta que não quer calar: dois mandatos de governador são oito anos. Um de presidente, que se vivo, não pode ser candidato, quem será o escolhido?
Em algum momento, pelas leis da biologia, assistiremos não à dissolução de um país, como a Iugoslávia, mas à desintegração de uma meia dúzia (pelo menos) de partidos nanicos com liderança nacional, sem os +- 27% dos votos do Bolsa Voto, cuja paternidade é atribuída ao Aiatolá.
Nas eleições de 2026, a esquerda progressista tem só um candidato. A direita, quatro. Quantos a esquerda terá no pós-Lula?
Fonte: Palestra na ACIPG.
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