O mundo que a maioria de nós conhecia acabou. A pergunta deixou de ser uma nova ordem mundial surgirá. A verdadeira pergunta é: como ela será? Quer algumas dicas?
“A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer; nesse interregno, surge uma grande variedade de fenômenos mórbidos”. A frase de Antonio Gramsci resume bem o momento atual.
Já a máxima atribuída a Niels Bohr — “É muito difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro” — ajuda a entender a brilhante entrevista do historiador Niall Ferguson na Expert XP. Ele não tenta adivinhar o futuro. Seu mérito é identificar padrões históricos que já estão moldando o mundo das próximas décadas.
Na visão de Ferguson, algumas tendências merecem atenção.
- A Segunda Guerra Fria já começou. O centro da disputa global deixou de ser o terrorismo e passou a ser a competição entre Estados Unidos e China.
- Geoeconomia substituiu a velha globalização. Comércio, tecnologia, energia e cadeias produtivas tornaram-se instrumentos de poder nacional.
- Inteligência Artificial e semicondutores são os novos ativos estratégicos. Quem dominar essas tecnologias terá enorme vantagem econômica e militar.
- As cadeias globais estão sendo redesenhadas. Eficiência continua importante, mas segurança e confiança passaram a determinar onde produzir e investir.
- A guerra mudou de forma. Sanções, tarifas, controle tecnológico, minerais críticos e ataques cibernéticos agora fazem parte do arsenal das grandes potências.
- O maior risco para as democracias pode ser interno. Polarização, dívida crescente e perda de confiança nas instituições enfraquecem países antes mesmo de qualquer conflito militar.
E onde entra o Brasil?
Poucos países reúnem simultaneamente segurança alimentar, água, energia, petróleo, minerais críticos, biodiversidade e distância dos principais conflitos militares. Essa posição oferece uma oportunidade rara.
Mas oportunidade não garante prosperidade. Se continuarmos exportando matérias-primas e importando tecnologia, permaneceremos como espectadores da nova ordem mundial.
A pergunta estratégica não é se o Brasil ficará entre Estados Unidos e China. É se conseguirá transformar suas vantagens naturais em competitividade, inovação e poder econômico.
Como ensinou Gramsci, o velho está morrendo. O novo ainda não nasceu.
A questão é simples: o Brasil será apenas um peão nesse novo tabuleiro ou conseguirá se tornar uma potência?
Fonte: “Entre o Passado, Presente e Futuro: A Ordem Global em Transformação” – Niall Ferguson – Expert XP.
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