O maniqueísmo (nós x eles) separou o Brasil em segmentos antagônicos. Não temos adversários políticos, temos inimigos. Como pensam e votam os brasileiros?
O buffet a quilo atende a todos os gostos, fomes e bolsos. Você paga só quanto quer comer, combinando pratos diferentes. Acaba com a dúvida se escolho frango, deixo de comer peixe.
A comida por quilo é mais uma das grandes invenções brasileiras. Lamentavelmente, na política, sua lógica não é utilizada. A cada eleição presidencial, o eleitor está cada vez mais calcificado, com identidades políticas tão consolidadas e enraizadas que torna quase impossível mudar de opinião.
Este fenômeno determinou o resultado das duas últimas eleições. Na eleição de 2022, uns 90% dos eleitores votaram em Bolsonaro ou Lula e, muito provavelmente, votarão novamente em 2026. O resultado é determinado pelos 10% que ainda podem mudar de ideia, não votando a favor de um, mas contra o outro.
A segmentação dos brasileiros, baseada nos eleitores que fizeram o “L”, foi a seguinte.
Esquerda: militantes de esquerda – 7%; progressista – 11% classe dependente do Estado – 27%.
Direita: extrema-direita – 3% – empresários 6% – agro 13% – conservadores cristãos – 27%.
Os 10% que decidiram a eleição passada, e decidirão a deste ano, são liberais sociais 5% e empreendedores individuais 5%. Ou seja, uma minoria, composta por brasileiros mais escolarizados, somada aos que dão duro entregando pizza ou dirigindo Uber, escolherá o próximo presidente.
Depois dos mais de 10 mil entrevistados serem separados nos segmentos acima, surgiu um novo grupo: os que não querem nem um nem outro. Eles já são uns 40% dos eleitores.
Como até agora não apareceu nenhuma alternativa eleitoralmente viável, estes 40% devem repetir o voto de 2022. Novamente vamos votar no menos ruim.
Os dois personagens que comandam este processo maniqueísta são irmãos gêmeos políticos. Esta anomalia genética rara resulta em gêmeos nascerem ligados por um mesmo corpo. O destino de uma influência é o do outro. Às vezes, é impossível separá-los.
O Brasil está condenado a esperar que um dos siameses saia de cena, para mudar o país?
Fontes: Palestra ACIPG; “Brasil no Espelho – Um guia para entender o Brasil e os Brasileiros” – Felipe Nunes.
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