A semana começou com ótimas notícias para o mercado. Deflação, expectativa de redução de juros, valorização do Real e alta da Bolsa. Será que estamos entrando em um ciclo virtuoso de crescimento? Quer conhecer dois fatores que podem jogar água fria nesta fervura?Contrariando os pessimistas, compartilhei no LinkedIn previsões otimistas de economistas como Mailson da Nóbrega, Andrés Esteves, Daniel Leichsenring, Ruy Alves, que apresentam argumentos que indicam um cenário positivo para os próximos anos. As reformas estruturais feitas desde que a racionalidade fiscal voltou ao país (governo Temer), somadas com as profundas mudanças geopolíticas mundiais, deflagradas pela Covid e a invasão da Ucrânia (reshoring, friendly shoring), somadas a uma desvalorização do dólar, contra quase todas as moedas, são uma passagem para o crescimento. Mas então, de onde vem as más notícias? Vem do interior do Maranhão (Carolina e Balsas) onde cheguei sábado. O que procuro sempre fazer quando chego em uma cidade ou país que não conheço, é falar com os locais e nessas conversas me deparei com duas ameaças: A região conhecida como MAPITOBA (partes do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) é a mais nova fronteira do agro brasileiro, com níveis de produtividade de soja e milho, comparáveis com as dos EUA. A invasão da Ucrânia foi (e continuará sendo) uma ameaça (suprimento de fertilizantes) e uma oportunidade (queda produção Rússia e Ucrânia). Por isso, o pessoal do agro deveria estar no moto do Washington Olivetto: “Enquanto uns choram, eu vendo lenços!”, mas não foi isso que constatei na conversa com um grande produtor, que suspendeu todos os investimentos.Meus argumentos de que o presidente eneadactilo é como um cachorro que late, mas não morde, foram totalmente ignorados pelo José (nome fictício). Pior do que isso, a opinião dele é compartilhada pela esmagadora maioria dos colegas. Não tenho conhecimento o que Daron Acemoglu e James Robinson tenham passado aqui no Maranhão, para escrever “Porque as Nações Fracassam”. Quem tiver alguma dúvida sobre a tese de que as nações bem-sucedidas têm instituições inclusivas, enquanto as que fracassam são extrativas, deveria vir para cá.O rio Tocantins separa Carolina (MA) de Filadélfia (TO). A travessia do Rio é feita por balsas, que são monopólio de um líder local. Não demorei muito tempo para entender porque ele cobra R$ 325,00 para transportar uma carreta carregada. É um pouco menos do que o custo que a carreta teria para ir até a ponte mais próxima. Com a devida razão, os esquerdistas vão acusar a família Sarney, que implantou este sistema extrativista. Mas aí cabe a pergunta: por que o atual ministro da Justiça, que governou o Maranhão por 8 anos, não fez nada para mudar? Do governo dele só restou o slogan nas placas espalhadas pelas cidades: “Governo com o Povo, o Maranhão em um Caminho Novo!”, mesmo que seja com a balsa do Coronel!Você conhecia esta história?#ismarbecker #economia #oportunidades #economia



