AÇÃO – REAÇÃO – RADICALIZAÇAO

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Por Ismar Roberto Becker

A grande maioria (uns 90%) dos brasileiros está cristalizada na direita e na esquerda. Pior, está cristalizada em torno de dois personagens polêmicos. Como chegamos a esta situação?

Usarei dois conceitos de outras áreas para tentar entender o Brasil atual.

O primeiro é a Terceira Lei da Física (Newton), que diz que a cada reação corresponde uma reação igual e em sentido contrário. Transportando para a política, quando um lado faz imposições, ameaças ou comete exageros, cria um espaço para uma reação adversária.

Quando chegou ao poder em 2002, o “L” começou o processo acusando FHC de ter deixado uma herança maldita. Era uma mentira fruto de uma combinação de ignorância com má-fé. Assim nasceu o maniqueísmo do “nós x eles”.

O segundo é o Pêndulo Existencial do filósofo Schopenhauer, que diz que a vida oscila entre o extremo do sofrimento e do tédio. Uma necessidade insatisfeita provoca um sofrimento. Uma vez satisfeita, pode dar lugar ao vazio e ao tédio. Talvez isto explique por que o Bolsa Voto, turbinado com vale-gás, luz para todos, é visto como mais do mesmo, sem ter o mesmo resultado eleitoral que elegeu “L”.

A eleição do “B” em 2018 foi a reação às polarizações do “L”. Uma combinação da pandemia com uma hipossuficiência de gestão e inteligência emocional criou uma oportunidade para o pêndulo voltar mais rápido para o outro extremo, em 2022.

A partir de 2023, uma combinação de populismo fiscal, que ignorou que o sofrimento não era mais o mesmo do de 2002, provocou o tédio em muitos eleitores, que tinham outras necessidades, que o “L” não consegue entender.

O primeiro turno das eleições e, principalmente, o resultado no Congresso, fez o pêndulo voltar para o outro extremo. Nenhum presidente da Nova República teve uma maioria como terá “B Filho” se eleito.

A pergunta de 1 milhão de dólares: até onde ele vai levar o pêndulo?

Ou vai se cercar de pessoas equilibradas, com competência técnica e política para administrar o país, como não fez o “L”?

Aplicando os ensinamentos de Newton e Schopenhauer à política, sabemos que os excessos de um campo podem alimentar os excessos do outro, criando uma espiral em que cada lado transforma o adversário em justificativa para a própria radicalização.

“L” e “B” dependem da polarização extrema. “B Filho”, pode entrar para a história como o presidente que acabou com esta greta que divide famílias, amigos, vizinhos, que transformou adversários em inimigos.

Veremos um movimento destes no próximo mandato?

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