O homem que não seja um socialista aos 20 anos, não tem coração. Um que ainda seja socialista com 40, perdeu a razão. Quer saber como acelerei este processo da frasede Georges Clemenceau?
Em 1977, eu estudava na UnB, em Brasília. A nomeação de um capitão, ligado ao chefe da Casa Militar do presidente, o general Ernesto Geisel, provocou a revolta dos estudantes, que pararam a universidade por semanas.Oslogan era: A greve continua, põe o capitão na rua.O campus foi cercado pormilitares. Como meu pai era senador pela Arena, partido de apoio ao governo, foi avisado que seria bom eu sair de circulação por algum tempo. Foi assim que começou uma nova etapa, com uma temporada de três meses na Alemanha Ocidental, fazendo um estágio em uma fábrica de porcelana, na divisa com a Alemanha Oriental e a Tchecoslováquia.
Seguindo a frase de Clemenceau, eu tinha um grande coração esquerdista, mesmo que fosse do tipo caviar, como muitos artistas e filósofos, que pregam a igualdade, mas não abrem mão dos prazeres capitalistas. Estar próximo a dois países comunistas, poder ler livros censurados no Brasil, era quase um sonho. Até hoje,tenho na minha biblioteca duas preciosidades da época:O Livro Vermelhode Mao Tse-tung eDiário Bolivianode Che Guevara. Um ponto de inflexão, foi quando cheguei perto do muro, que era uma cercaque separava as duasAlemanhas. Percebi duas coisas: aprimeira era quecerca não ficava na divisa, mas há50 metros dentro do território da Alemanha Oriental. A razão era simples: se alguém conseguisse pular a cerca, os guardas poderiam atirar, porque era território deles. A segunda era mais bizarra. Os parafusos que prendiam a cerca aos enormes postes de metal estavam do lado ocidental. Como a cerca foi construída para proteger os orientais da ameaça capitalista, isto não tinha muita lógica. Foi aí, que comecei a usar a razão na economia e política.
Quando e como foi a sua passagem da utopia para a razão?
#ismarbecker #carreiras #motivação #viagens



