SER OU NÃO SER! DILEMA DO SUCESSOR

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Por Ismar Roberto Becker

É muito cômodo entrar na empresa familiar, com a perspectiva de alavancar a carreira. Será mesmo?

Por experiência própria, posso garantir que responder é muito mais difícil do que você pensa.

Eu acreditei que era fácil. Em uma combinação de sorte com um pouco de competência, contribuí com a expansão das exportações do Grupo Oxford. Teoricamente, isso me qualificaria para algum dia chegar ao comando do negócio.

Após uma experiência de dois anos administrando uma empresa do grupo na Irlanda, e de participar do PGA (Programa de Gestão Avançada) da Fundação Dom Cabral e INSEAD, concluí que uma conjugação de fatores pessoais (competências), familiares (ciúmes e conflitos de visão estratégica) e societários (possível falta de apoio da segunda geração dos outros sócios) me levou a pedir o boné e tocar minha vida.

Alguns anos após ter saído, conversando com meu pai, disse que tinha me arrependido de sair. Ele, no seu estilo germânico autoritário, com o perdão do pleonasmo vicioso, lascou: “Eu te falei para não sair”. Imaginem a reação quando eu complementei: “Me arrependi de ter saído tão tarde!”

Conto esta história para ajudar um jovem da segunda geração de uma bem-sucedida empresa familiar que me fez a pergunta: “Entro ou não entro na empresa?”

Além de contar minha história, sugeri ao jovem com dúvidas que refletisse sobre as perguntas de Peter Drucker em Managing Oneself:

Você conhece suas forças? Conhece a forma como trabalha?

Estas duas perguntas vão ajudar a entender se poderá conviver com o pai e os executivos da empresa.

Depois disto vêm as perguntas mais complexas colocadas por Drucker:

Como seus valores se relacionam com os da empresa: meritocracia x lealdade; inovação x “sempre fizemos assim”; delegação x centralização?

Você realmente pertence, ou pertencerá, ao negócio? Seu sobrenome pode abrir a porta, mas não garante aceitação nem espaço para deixar de ser apenas o filho do dono.

Qual a contribuição que você pode dar? Somente preservar o poder e agradar ao fundador não são, por si só, contribuições para o negócio. Que problema você pode ajudar a resolver? Qual valor você pode agregar?

O sucessor maduro não pode perguntar apenas: “Existe espaço para mim?”. Precisa de respostas claras para outras questões:

  • Meus valores estão alinhados com este ambiente?
  • Sinto que pertenço a esta cultura?
  • Minhas forças conseguem florescer aqui?
  • Consigo contribuir de forma única?
  • Ou estou apenas tentando cumprir um papel familiar?

Você que pensa em entrar ou continuar na empresa familiar, tem as respostas para estas perguntas?

Fonte: Managing Oneself – Peter Drucker.

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