O modelo democrático da Constituição de 1998 acabou. Como será o novo modelo?
A Constituição de 1988 estabeleceu um sistema presidencialista, em que o Executivo, Legislativo e Judiciário são independentes e harmônicos; devem respeitar a Constituição, os direitos fundamentais e o pluralismo político.
Alguém acredita que este modelo ainda existe?
O Executivo perdeu poder, o Legislativo virou distribuidor de cheques e o Judiciário toma decisões que bloqueiam os outros dois poderes. Para piorar, os lobbies comandados por parentes e amigos transformaram os Três Poderes em uma oligarquia da parentalha, segundo Joaquim Falcão em “A Oligarquia dos Poderes”.
A gota de água (ou seria o dilúvio da Arca de Noé?) foi o caso Master, que corrompeu ecumenicamente os Três Poderes.
Uma frase de Gramsci resume nossa triste situação: “a crise consiste no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer”.
Nos três posts anteriores examinei o que nos espera com os candidatos “L” ou “B”. Na economia, questionei a disposição de “L” de ampliar gastos sem enfrentar o desequilíbrio fiscal. O eleitor não vive de discurso nem de estatística: vive do que consegue comprar com o que ganha.
Nas transferências sociais, critiquei a transformação de uma proteção necessária em instrumento eleitoral e dependência permanente. A questão é como amparar quem precisa sem desestimular o trabalho e a autonomia.
Na segurança, confrontei a promessa vaga de endurecimento de “B” com as falas de “L” que relativizam a responsabilidade criminal (traficante é vítima). Enquanto isso, milhões de brasileiros têm sua liberdade limitada pelo crime organizado.
Faltava examinar a corrupção, que pesa sobre os dois, só os diferenciando o grau quantitativo e qualitativo do roubo. Enquanto um lado é uma clePTocracia quase sem equivalente mundial, o outro ainda pode ser julgado nos tribunais de pequenas causas, talvez por falta de tempo.
Nas eleições de hoje (04/10), temos duas opções:
A NOSTALGIA do passado versus uma vaga ESPERANÇA no futuro.
No cenário nostálgico dos que não aprendem com os erros, teremos mais do mesmo: malabarismo fiscal, compra de votos com esmolas recorrentes, grandes projetos nacionais, que maximizam as oportunidades de se locuPleTar. No outro cenário, pelo menos compraremos um tempo para permitir que um novo modelo possa nascer.
Esta eleição não é para escolher o melhor, é tentar evitar o pior.
Como nos ensinou Creomar de Souza, em “Gestão de Risco Político”: “no passado é possível encontrar informações para entender o presente e se preparar para o futuro”.
Quando você estiver na solidão da urna, esqueça o fígado e o estômago. Tape o nariz e vote com o cérebro, escolhendo o menos ruim, que nos permite sonhar com um futuro promissor.
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