Em uma semana, vamos votar para decidir o destino do país. Será que temos a liberdade e a soberania para votar? Será que ainda temos uma democracia digna deste nome?
Para que a discussão não seja atropelada pela polarização (nós x eles), vamos relembrar alguns conceitos básicos.
Em uma democracia, o povo delega o poder aos representantes políticos para defender seus interesses. Os interesses do povo, não do político.
O poder corresponde à habilidade humana não apenas para agir, mas para agir em concerto (harmonia); nunca é propriedade de um indivíduo, nos ensinou Hannah Arendt.
Governo é o conjunto de pessoas que exercem o poder político e que determinam a orientação política de uma sociedade, segundo Norberto Bobbio.
Estas e outras lições estão no brilhante livro Gestão de Risco Político de Creomar de Souza.
Se avaliarmos nossa democracia pelos critérios acima, que nota daríamos a ela? O modelo democrático dos Três Poderes, com um regime presidencialista, ainda existe?
“O fato é que não temos hoje mais um presidencialismo de coalizão. Nem mesmo um presidencialismo congressual”… “Às vezes, a relação entre os Poderes se parece mais com um condomínio. Três condomínios controlam para si próprios a comunidade onde vivem e a nação”…. Criam um regime estatal de copropriedade do próprio Estado.
Esta é a avaliação de Joaquim Falcão em “A Oligarquia dos Poderes”.
O que pensa este modesto escriba catarinense, branco, pequeno empresário, qualificado de racista, que deveria se ajoelhar ante o El Supremo, na opinião dele?
O sistema democrático estabelecido pelo Dicionário dos Sonhos, Constituição de 1988, sofreu ataques constantes.
Um deles no estilo “Exército Brancaleone”, comandado por um capitão quase expulso, que não teve o apoio nem do cabo e do soldado no jipe. Forças não tão ocultas acabaram de tirá-lo de cena. Nunca teve nível para participar do condomínio que controla o país. Sempre foi da raia miúda das rachadinhas.
O outro aprendeu a cantar com as sereias que tentaram Odisseu, enganou os sindicatos, a igreja, os pseudointelectuais e os artistas do Bolsa Cultura. Consegue se eleger com uma maioria composta de uns 3% de órfãos de um velho barbudo alemão, uns outros tantos por cento de militantes mercenários, e uns 25% que compram mensalmente com o Bolsa Voto. É a minoria no poder.
Em uma eleição que será decidida pela opção da menor rejeição, pela escolha do menos ruim, temos que votar com o nariz tapado, naquele que pode causar menos estrago na já débil democracia brasileira.
Os próximos anos serão um purgatório do qual sairemos quando a biologia seguir seu caminho, tirando o Aiatolá de Garanhuns de cena.
Pragmaticamente, pensando na travessia do Mar Vermelho, você vê outra alternativa?
Fontes: “O SISTEMA NO BRASIL SE ESGOTOU? | WW ESPECIAL – 20/09/2026”; “A Oligarquia dos Poderes” – Joaquim Falcão; “Gestão de Risco Político” – Creomar de Souza.
#IsmarBecker #Democracia #Governo #Eleições #Poder #Polarização



