A Alemanha está passando por uma grave crise. Será o fim do modelo de estabilidade política e de crescimento econômico de uma grande potência?
A Alemanha renasceu literalmente das cinzas da Segunda Guerra. Dividida por um muro, apoiada pelos EUA, livre da espoliação comunista, a parte ocidental tornou-se referência mundial na economia, na tecnologia e na democracia.
Depois de alguns anos de turbulência, após o final da guerra, um modelo de três partidos de centro-direita, democrata-cristão (CDU/CSU), liberal (FDP) e centro esquerda (SPD), dominou o cenário político de 1960 até 1983, quando os Verdes, uma mistura de radicalismo ecológico e “protowokismo” entraram em cena.
O desmanche do sistema aprofundou-se durante os 16 anos de anestesia política e de gestão da Muti Merkel, uma espécie de Dilma inteligente. Com um distanciamento cada vez maior dos partidos com a base (leia-se povo), os quase 80% dos votos dos partidos tradicionais caíram para uns 32%.
Nas recentes eleições em dois “Ländern” (Estados) com menos de 5 milhões de habitantes, a AfD (Alternativ für Deutschland) viu suas alternativas, com o perdão do trocadilho, assumirem a dianteira, mas sem atingir a maioria para governar sozinho.
Parece que a Alemanha está no interregno de Gramsci, no qual “o velho está morrendo e o novo não pode nascer; neste interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece.
O que causou o fim do modelo político que foi um dos pilares do milagre alemão?
Os três partidos dominantes:
– Romperam a promessa feita à classe média que trabalha. O eleitor que sustentava os grandes partidos já não se vê representado por eles.
– Falta responsabilidade pessoal pelos resultados. Os dirigentes são burocratas que não têm o “skin in the game”, que não entendem as consequências das decisões que empurram goela abaixo do povo.
– Respondem à crítica com moralização. As críticas às decisões erradas são contra-atacadas como preconceitos ideológicos, ou de pessoas não preparadas, que não entendem as necessidades do país.
– Negam a experiência do eleitor. Do alto das suas torres de marfim, acima do bem e do mal, que os problemas que os eleitores denunciam são uma percepção equivocada, não problemas reais. Inflação, custo proibitivo dos imóveis, a verdadeira invasão de imigrantes sem qualificação, sustentados pelo Estado, não são relevantes.
O que acontecerá com os partidos tradicionais alemães?
Baseado no que aprendi nos cinco anos que tive negócios lá, vai ter que piorar para melhorar.
E o nosso Brasil?
Até que ponto os convidados ecumênicos das orgias sócio-sexo-etílicas do Vorcaro têm alguma conexão com o que os clientes (eleitores) pensam e querem?
Fonte: “Das Sterben der Volksparteien: Sie ernten, was sie gesät haben” – Zone der Vernunft.
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