O FIM DO MODELO ALEMÃO

Foto de Por Ismar Roberto Becker
Por Ismar Roberto Becker

A Alemanha está passando por uma grave crise. Será o fim do modelo de estabilidade política e de crescimento econômico de uma grande potência?

A Alemanha renasceu literalmente das cinzas da Segunda Guerra. Dividida por um muro, apoiada pelos EUA, livre da espoliação comunista, a parte ocidental tornou-se referência mundial na economia, na tecnologia e na democracia.

Depois de alguns anos de turbulência, após o final da guerra, um modelo de três partidos de centro-direita, democrata-cristão (CDU/CSU), liberal (FDP) e centro esquerda (SPD), dominou o cenário político de 1960 até 1983, quando os Verdes, uma mistura de radicalismo ecológico e “protowokismo” entraram em cena.

O desmanche do sistema aprofundou-se durante os 16 anos de anestesia política e de gestão da Muti Merkel, uma espécie de Dilma inteligente. Com um distanciamento cada vez maior dos partidos com a base (leia-se povo), os quase 80% dos votos dos partidos tradicionais caíram para uns 32%.

Nas recentes eleições em dois “Ländern” (Estados) com menos de 5 milhões de habitantes, a AfD (Alternativ für Deutschland) viu suas alternativas, com o perdão do trocadilho, assumirem a dianteira, mas sem atingir a maioria para governar sozinho.

Parece que a Alemanha está no interregno de Gramsci, no qual “o velho está morrendo e o novo não pode nascer; neste interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece.

O que causou o fim do modelo político que foi um dos pilares do milagre alemão?

Os três partidos dominantes:

– Romperam a promessa feita à classe média que trabalha. O eleitor que sustentava os grandes partidos já não se vê representado por eles.

– Falta responsabilidade pessoal pelos resultados. Os dirigentes são burocratas que não têm o “skin in the game”, que não entendem as consequências das decisões que empurram goela abaixo do povo.

– Respondem à crítica com moralização. As críticas às decisões erradas são contra-atacadas como preconceitos ideológicos, ou de pessoas não preparadas, que não entendem as necessidades do país.

– Negam a experiência do eleitor. Do alto das suas torres de marfim, acima do bem e do mal, que os problemas que os eleitores denunciam são uma percepção equivocada, não problemas reais. Inflação, custo proibitivo dos imóveis, a verdadeira invasão de imigrantes sem qualificação, sustentados pelo Estado, não são relevantes.

O que acontecerá com os partidos tradicionais alemães?

Baseado no que aprendi nos cinco anos que tive negócios lá, vai ter que piorar para melhorar.

E o nosso Brasil?

Até que ponto os convidados ecumênicos das orgias sócio-sexo-etílicas do Vorcaro têm alguma conexão com o que os clientes (eleitores) pensam e querem?

Fonte: “Das Sterben der Volksparteien: Sie ernten, was sie gesät haben” – Zone der Vernunft.

#IsmarBecker #Alemanha #PolíticaAlemã #EleiçõesAlemãs #PartidosTradicionais #CriseDeRepresentação #PolarizaçãoPolítica #Europa

Compartilhe esse conteúdo:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Email
Twitter
Pinterest