Estamos às portas de uma eleição requentada, que repetirá o cenário da eleição de 2022, com uma população cansada do radicalismo, que não quer mais do mesmo, mas não tem outra opção. Vamos sair da frigideira para cair no fogo?
É difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro, teria dito o físico Niels Bohr. Na política brasileira, isto é um pouco mais fácil, já que os personagens são os mesmos desde 2018. Utilizando bom senso e opiniões de pessoas fora das cavernas ideológicas da esquerda e direita, me atrevo a projetar três cenários.
CATASTRÓFICO
A Nova Matriz Econômica (2011–2016) afundou o Brasil na maior crise econômica desde 1929. A principal causa foi acreditar que dava para construir o trapézio enquanto voava: injetar dinheiro, crédito subsidiado, incentivos, renúncia fiscal, apostando que a arrecadação aumentaria para pagar a conta.
Nunca deu certo em nenhum lugar do planeta. Antes do Brasil quebrar, a “gerenta” foi “impeachada”. O vice teve que arrumar a casa.
Dez anos depois, e uns 270 bilhões de reais torrados só este ano para a reeleição, estamos assistindo a um filme ainda pior. Vejam as declarações de dois protagonistas:
“É preciso acabar com esta babaquice de fazer superávit” – Candidato à reeleição. “Lulinha, paz e amor foi um erro e é hora de ir para cima” – Capitão Cueca, Ministro do (des) governo.
Projetar este cenário é fácil: 2016 – 2.0.
Colapso fiscal e impeachment, quando o Centrão perceber que a vaca está indo para o brejo. Como o vice de hoje não chega nem perto do vice da época, não me atrevo a prever o tamanho do buraco em que vamos cair.
GRAVE – Pero no mucho
O filho do derrotado em 2022 ganha, mas não leva. Calma, não estou falando em fraude nas urnas. Estou falando que ganha a eleição, mas fica refém do Centrão, que na prática, vai governar.
Mesmo sem base no Congresso, Temer conseguiu reformas profundas, até a conversa no porão do Palácio Jaburu com o açougueiro petralha. Não me parece que o filho do Messias tenha a bagagem do Temer.
Neste cenário, é provável que a sangria do Gasto é Vida vai ser bastante reduzida, e a corrupção também, afinal um atua no varejo e o outro no atacado. Vamos afundar mais devagar, o que nos dá tempo para pensar em 2030.
UTÓPICO
O filho do derrotado em 2022 ganha a eleição, abre mão da reeleição para entrar na história, enfrenta a oligarquia dos poderes, que privatizaram o Estado brasileiro. Segue uma cartilha de responsabilidade fiscal; surfa na onda geoeconômica e geopolítica que nos transforma em uma moça não muito bonita, muito atraente para dançar. Seria o Brasil entrando pela porta da frente no time das potências mundiais. Penso que só meus netos verão esta mudança.
Qual é a sua aposta?
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