SUPREMA VERGONHA NACIONAL

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Por Ismar Roberto Becker

Nunca antes na história deste país os brasileiros assistiram a um espetáculo de gritos, insultos e acusações, em uma sessão do STF, como na última terça-feira. Qual será o próximo capítulo? Como será o fim deste filme de terror?

A sessão extraordinária do STF discutiu tudo, menos o tema da convocação: abrir uma investigação sobre Alexandre de Moraes. Em uma estratégia bem planejada e executada, o “quadriviratum” de sustentação do governo falou sobre tudo, menos sobre a possibilidade de abrir a investigação.

Como sabem que uma investigação traria ainda mais luz sobre o mar de lama que envolve o ministro, melaram o jogo propondo incluir o ministro André Mendonça na investigação.

Em português popular, seu vizinho é suspeito de um delito, o advogado dele não tem como defender o delito e, por isto, pede que você seja investigado também. O delito em si não importa. O que importa é jogar lama nos outros e abusar do rito processual. Qualquer semelhança com a anulação dos condenados na Lava Jato, um deles na Presidência da República, não é mera coincidência.

As consequências deste dia negro do STF ainda não podem ser avaliadas, mas algumas já estão claras:

– O STF perdeu ainda mais a já baixa credibilidade que tinha.

– As declarações e ofensas mútuas dos ministros confirmaram a gravidade da sua crise interna.

– Os ataques pessoais praticamente inviabilizam um clima mínimo de trabalho em próximas causas.

– O presidente do STF teve sua autoridade e condição de determinar o curso dos próximos julgamentos seriamente reduzidas.

– Como o pedido de vistas foi de quem é considerado como líder do governo no STF, pode jogar parte da crise para a campanha de reeleição.

Neste mar de lama jogada para todos os lados, merece elogios a declaração do ministro Fabio Dino, que disse: “É o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário brasileiro”. “Nós temos, a estas alturas, como público, dezenas de citados”.

Para registro, os citados em investigação nas cortes superiores são 5 do STF, 9 do Superior Tribunal de Justiça e 2 no Superior Tribunal do Trabalho.

As perguntas que não querem calar: quem julga os julgadores quando eles não conseguem julgar a si próprios? Qual será o preço eleitoral na campanha de reeleição?

Fonte:  WW CNN – “Incapaz de Decidir, Supremo Amplia a Crise”.

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