O BRASIL ESTÁ DOENTE

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Por Ismar Roberto Becker

Os brasileiros estão cansados da polarização, desconfiados dos políticos, inseguros quanto ao país e procurando alguém que devolva sentido de futuro à vida cotidiana. Como curar esta doença?

Desde 2022, os brasileiros foram bombardeados por um discurso maniqueísta (nós x eles) que começou na posse do primeiro mandato do Aiatolá de Garanhuns, que disse ter assumido uma herança maldita.

Na verdade, ele assumiu um país com a inflação controlada, surfando uma onda gigante do boom das commodities. Fez um primeiro mandato de disciplina fiscal, além de acumular as reservas fiscais, sendo nosso seguro para as intempéries do mundo globalizado.

Quando estourou a crise de 2008, que ele disse que seria uma marolinha, o projeto de poder passou a ser o único objetivo. Para isso, ele e sua sucessora fizeram o diabo para ganhar as eleições. Além dos malabarismos fiscais, compraram o Congresso e boa parte da imprensa, com o dinheiro do Mensalão e Petrolão.

A casa caiu com a ineficiência da “presidanta”, dona de uma hipertrofia de gestão, combinada com hipossuficiência cognitiva tanto em economia quanto em relacionamento social. Por absoluta falência dos órgãos, ela foi afastada e o chefe da quadrilha preso.

Após um grande freio de arrumação, no curto governo do vice-presidente, o caminho para um messias que nos tiraria das trevas estava aberto. Uma combinação de truculência exasperada, práticas das milícias cariocas, com incontinência verbal, abriu o caminho para o retorno do Aiatolá, solto por um golpe judiciário, que dobrou a aposta do está comigo (nós) ou contra mim (eles).

Após duas décadas de ruptura que dividiram famílias, amizades, clubes, escolas, a maioria dos brasileiros, mesmo aqueles que se definem como “istas” de um lado ou outro, está cansada. Não querem mais brigar, nem defender incondicionalmente um messias ou um aiatolá. Muitos vivem em uma espécie de ressaca emocional. Querem sair da polarização de nós x eles, mas não encontram a saída.

Nas próximas eleições, não terão um candidato que represente o futuro que sonham, mas contra aquele que possa causar menos estrago. Um dos favoritos vive do passado, tem um governo seriamente questionado, envolvido até o pescoço com escândalos de corrupção, na família e no partido. Tudo isto simultaneamente à dissolução da credibilidade do STF, talvez o último pilar que mantém seu projeto.

O outro favorito, que tem como único ativo eleitoral o sobrenome, procura se esquivar das cascas de banana que ele mesmo jogou, ou jogaram para ele. Nas últimas semanas, recuperou um bom terreno, mas, como disse no comício do Dia da Independência, está esperando uma possível “terceira facada”. Que escândalo poderia ser revelado?

Resumindo, os brasileiros estão cansados de Lula, mas não se apaixonaram por Flávio. A maioria não votará em um dos candidatos, mas contra o outro.

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