O que acontece quando o CEO centralizador ou um conselho, dominado pelo Estado e funcionários, veta mudanças que podem acabar com o negócio?
Esta é uma história de duas empresas diferentes, de setores diferentes, com a gestão em países diferentes. Por falta de decisões difíceis da gestão, as duas correm um sério perigo existencial.
A primeira é a Volkswagen, que há anos tem uma hipertrofia de funcionários na Alemanha, mais especificamente em Wolfsburg, no estado de Niedersachsen. Uns 11% dos funcionários do grupo estão em Wolfsburg e uns 24% na Alemanha.
Desde que morei lá (2014/20), já era óbvio que era uma estrutura inchada, especialmente nas áreas meio. Nada foi feito porque o estado de Niedersachsen consegue veto em algumas decisões. Para piorar, 50% dos 20 assentos do Conselho da VW são ocupados por sindicalistas. Somados aos 2 do governo estadual, eles vetam o que quiserem.
Para se ajustar a queda de vendas, devido à concorrência desleal dos chineses, a VW decidiu um corte de 100 mil funcionários, a maioria na Alemanha. A previsão inicial é que o processo termine em 2030. Antes disto, é possível que a empresa já não exista mais.
O segundo caso é aqui nas terras tupiniquins, na CSN, onde o principal acionista não é mais o CEO. As ações da empresa chegaram a subir 20% no dia, mas fecharam em 6,69%, no dia do anúncio.
Mesmo descontando este aumento, a empresa perdeu uns 30% de valor no ano. A razão principal é a relutância do CEO em vender alguns ativos para reduzir o endividamento. Em entrevista ao Valor Econômico, ele disse que o amor que sente pelos ativos do grupo, que seriam como filhos para ele.
Não seriam estas duas histórias um bom exemplo? O acrônimo ESG deveria ter a ordem alterada para GES?
Fontes: Valor Econômico – 04/09 – “Volks pode ser rebaixada para ‘junk’ se não demitir”; “Investidores aprovam troca no comando da CSN e ações disparam”.
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