Irmãos são iguais como herdeiros de uma empresa familiar, mas não são iguais como gestores. Como administrar esta desigualdade?
A rivalidade entre irmãos é histórica. Começou na Bíblia, quando Caim matou Abel. Antes de prosseguir com o tema, eu nunca entendi como a humanidade evoluiu, já que Caim precisaria de uma companheira para gerar filhos, mas isto é um tema para outra reflexão.
A maior causa mortis das empresas familiares é a sucessão.
O fundador concentrava propriedade, autoridade e liderança em uma única pessoa. Após a sucessão, os filhos podem receber participações semelhantes, mas a empresa continua precisando de decisões claras, e muitas vezes o sucessor não tem o reconhecimento do fundador por parte dos irmãos.
Isto provoca dois conflitos potenciais. Um estratégico que é a eventual divergência sobre investimentos, mercados e direção da empresa. O outro emocional, causado pelos ressentimentos, competição por reconhecimento e lutas pessoais disfarçadas de discussão empresarial.
No post, https://www.linkedin.com/posts/ismar-becker-mentor-consultoria-conselheiro-ceramica-harvard-insead-gestao-mercadointernacional_ismarbecker-empresasfamiliares-conflitosfamiliares-activity-7498333555177984000-X_K4?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAA2bOxcBye2CyN6KPOWtiZwk3L_FHnxMT84, contei que decidi sair da empresa familiar por não querer entrar em conflito com meu pai. A segunda razão foi saber que meus irmãos e, provavelmente, os filhos dos outros sócios não aceitariam minha liderança.
Não existe uma fórmula mágica para fazer uma sucessão sem deixar alguém, ou alguns, magoados, na melhor das hipóteses.
O que aprendi em mais de 50 anos atuando em ou com empresas familiares, é que o pai deve escolher o sucessor com critérios claros, preparar os demais filhos e assumir pessoalmente a responsabilidade pela decisão.
Escolher não pode significar estimular uma competição permanente, distribuir promessas contraditórias ou transformar o escolhido no filho preferido. O objetivo da sucessão é preservar a empresa e a família, não declarar vencedores e derrotados.
O sucessor, por sua vez, deve entender que recebeu uma responsabilidade, não uma coroação. Precisa construir legitimidade sem diminuir os irmãos, respeitando seus direitos como acionistas e ouvindo suas posições.
Os irmãos devem ter informação, participação e canais para discordar, mas igualdade patrimonial não significa igualdade de função: todos podem ser donos, sem que todos tenham direito automático ao comando.
Quais recomendações você sugere?
Fonte: “Generation to Generation – Life Cycles of the Family Business” – John Davis e outros.
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