“A necessidade humana de liderança não muda; a forma como o líder assume a liderança, sim”. Como líderes podem exercer seu poder hoje?
Com a frase de abertura, a psicóloga Maria Homem conta a história da evolução da liderança, que começa com os xamãs, passando para anciãos, sacerdotes, reis, pais, generais, gestores racionais até facilitadores de processo.
Em resumo, muda a forma, mas continua a necessidade do líder, que passou pelas seguintes etapas:
– Líder transcendental: o poder vinha do sagrado, primeiro o politeísta (muitos deuses) e depois consolidado no monoteísmo (Deus único). O Papa, os Aiatolás e os Rabinos não precisavam de justificativas para exercer seu poder absoluto. Podiam matar, exilar, determinar que a Terra era o centro do universo.
– Líder racional: poderá ter começado quando Descartes disse “Penso, logo existo”. O científico foi gradativamente enterrando o transcendental. Na gestão dos negócios, significou planejar, organizar, executar e controlar, mas a primeira e a última palavra eram sempre do líder principal.
– Líder democrático: começou, pelo menos aqui no Brasil, quando comecei minha carreira de executivo. Meu chefe, casualmente também meu pai, mandava. Eu tinha que negociar, convencer, embora ainda pudesse tomar decisões monocráticas.
– Líder iluminado: este persiste até hoje. É o gênio, mesmo que irascível. Steve Jobs, Elon Musk, Luciano da Havan são exemplos. Não é para quem quer. É para quem pode.
– Líder relacional: emprestando os atributos da retórica, citados por Aristóteles, “Logos” é o uso da lógica, da razão, dos fatos, dos argumentos, típicos do líder racional. “Páthos” é a persuasão pela emoção, empatia, identificação. É o líder racional, com uma compreensão das interações pessoais e políticas de uma organização.
– Líder responsável: é a modelo proposta no livro. É o líder que não quer ser dono da verdade, que entende que os subordinados podem ter tempos diferentes dele, que está sempre aberto a ideias e críticas, que sabe que não pode controlar tudo.
Esta evolução pode parecer natural, mas não é. Ainda hoje os seis tipos de líderes convivem simultaneamente. O grande risco que corremos é que estamos em um momento de grandes transições sociais (empobrecimento da classe média), geracionais (três ou quatro gerações convivendo nas organizações) e tecnológicas (IA e mídias sociais).
Maria Homem alerta que “em tempos de transição, o impulso humano de restaurar a ordem se intensifica e, diante do caos, cresce o desejo por respostas simples, líderes fortes, narrativas totalizantes que prometem eliminar a ambiguidade e devolver ao mundo uma aparência de estabilidade grandiosa e perdida”.
As semelhanças das eleições em quase todo o planeta com o cenário descrito pela autora serão mera coincidência?
Fonte: “Procura-se uma nova liderança para um novo tempo” – Maria Homem.
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