ARGENTINA POR UM FIO

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Por Ismar Roberto Becker

Após décadas de um populismo de esquerda, a Argentina retomou a disciplina fiscal. Por que isto está em risco?

Em mais de 50 anos como caixeiro viajante pelo mundo afora, aprendi que quando me considerava rico lá fora, alguma coisa estava errada por aqui. Para reforçar este sentimento, quando os “Hermanos” argentinos invadem o Brasil, alguma coisa está errada por lá.

Seguindo esta lógica, desconfio que tem algo podre no reino do Japão, que está muito barato até para nós, e no reino de Milei.

Muita calma, “ideopatas” da caverna do Gasto é Vida. Não abandonei meus princípios liberais. Muito pelo contrário, não sou parte de nenhuma manada que venera o líder.

A Argentina saiu de uma situação próxima à hiperinflação, eliminou o déficit fiscal e recuperou o crescimento. Entretanto, ainda convive com inflação anual acima de 30%, desemprego elevado, informalidade, fragilidade das reservas e recuperação desigual entre setores e grupos sociais.

Vamos aos fatos (números), uma ciência ignorada pelos “ideopatas”. De 2023, quando assumiu, até agora, a racionalidade fiscal de Milei gerou os seguintes resultados.

– Inflação desabou de 25,3% ao mês para 2,1% em julho de 2026.

– Déficit fiscal de uns 5% ao ano foi eliminado. Hoje tem superávit de 0,2%.

– PIB afundava. Hoje cresce 2,3% ao ano, sem anabolizantes fora do orçamento.

– Índice de pobreza caiu de 41,7% para 28,2%.

Mas nem tudo é um mar de rosas “porteño” no país dos vice-campeões, que deram o vexame no final da Copa.

O desemprego subiu de 5,7% para 7,28%, embora o índice de 2023, medido por um IAGE (Instituto Argentino de Geografia e Estatística), uma versão piorada da IPME (Instituto Pochcmaniano de Manipulação Estatística) daqui, deva ter sido escandalosamente manipulado.

O fio que está sustentando este verdadeiro milagre econômico é um câmbio irreal.

Mesmo após a desvalorização do peso de uns 45%, promovida no início do governo, os preços argentinos aumentaram aproximadamente 241% enquanto o dólar oficial aumentou aproximadamente 86%. Ou seja, os preços subiram três vezes mais do que o dólar.

A teoria econômica, que os populistas desconhecem, nos ensina que esta situação é insustentável. A aposta de Milei é “barrigar” a situação até a eleição de outubro de 2027. Independentemente do resultado, a realidade econômica vai se impor em seguida.

Onde Milei errou?

Fonte: “Argentina vai Quebrar” — Market Makers #39.

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