A maioria dos indicadores macroeconômicos brasileiros é positiva. Apesar disto o povo reclama que o salário acaba antes do fim do mês. Quem tem razão?
Para responder a esta pergunta, busquei duas fontes.
A primeira é a dona Maria, mãe solteira, três filhos, um emprego, dois bicos. Fui à casa dela em um bairro de São Bento do Sul, onde a conheci na minha campanha malsucedida para prefeito.
Perguntei como ia a vida. Não vai mal, apesar de eu trabalhar muito, disse ela. O problema é que tive que fazer algumas dívidas. As prestações levam quase 30% do que ganho. Se não fosse isto, estaria bem melhor. Até sobraria uns trocados para umas compras extras.
A segunda fonte foi uma entrevista do ministro da Fazenda. Perguntado como iam as finanças públicas, respondeu: estão equilibradas, no arcabouço fiscal, a situação veio melhorando desde 2023.
Sobre a explosão da dívida fiscal de mais de 10 pontos percentuais, disse que a culpa é dos juros. Quanto aos gastos fora do arcabouço fiscal, hesitou.
O que tem de diferente entre a dona Maria e o ministro?
Uma vive na microeconomia, sendo o mundo real, onde só podemos gastar o que ganhamos ou o que emprestamos.
O outro faz de conta que vive na macroeconomia, já que nega o fundamento básico da escassez, que é um pecado original dos progressistas.
A Dona Maria quebra se não pagar as contas. O Estado empurra a conta para o povo.
As respostas do ministro foram uma combinação da negação da realidade (atingimos a meta) com uma altíssima economia com a verdade.
Ele acertou ao dizer que uma política fiscal é necessária para reduzir o prêmio de risco nos juros, diminuir o custo financeiro do Estado para permitir baixar os juros.
Acertou novamente ao dar a receita para isto acontecer: fortalecer o arcabouço fiscal, reduzir o crescimento dos gastos obrigatórios, modernizar o Estado.
Todas estas ações básicas para a Dona Maria, ou qualquer humano que tenha noções básicas de matemática e economia, são fundamentais para melhorar a eficiência das despesas públicas, que levaria a uma estabilização da dívida pública.
Neste momento da entrevista, comecei a me beliscar para ver se não estava sonhando. Aí veio o choque de realidade: cachorro velho não aprende truque novo.
O ministro deixou vermelhamente claro que a diminuição dos gastos obrigatórios não passa pela mudança na política de valorização do salário-mínimo, desvinculação dos benefícios previdenciários e assistenciais do mínimo, pela alteração das regras atuais de reajuste dos benefícios sociais.
No final das contas não pagas, o ministro deixou claro que o governo já saltou do trapézio com mais gastos e dívida, apostando que juros menores e crescimento econômico construirão o segundo trapézio antes da chegada.
Você esperava algo diferente?
Fonte: “Rumo das Contas Públicas” – Entrevista GloboNews.
#IsmarBecker #Macroeconomia #EconomiaBrasileira #ResponsabilidadeFiscal #CustoBrasil #GestãoEmpresarial



