Sistemas políticos nem sempre premiam os mais sábios. Frequentemente premiam quem manipula melhor as emoções.
Por que, no Brasil, fomos além?
Desde 2002, com um pequeno intervalo, transformamos dois políticos em religiões concorrentes.
Para um lado, o Aiatolá de Garanhuns é a encarnação de todos os males. Para o outro, o Messias representa o apocalipse da democracia. Enquanto isso, milhões de brasileiros passam o dia alimentando exatamente o que ambos mais precisam: atenção.
O historiador Yuval Harari diz que a mentira viaja mais rápido que a verdade. No Brasil, a indignação e o maniqueísmo (nós x eles) viajam ainda mais rápido.
Os dois personagens somente apertam quatro botões:
MEDO. INIMIGO. ORGULHO. SALVAÇÃO e, faz pouco tempo, SOBERANIA.
Este último é uma novidade em um país que teve somente uma pequena parte de um território invadido em 1864, mas depois venceu o invasor.
Apertando um dos botões, a torcida entra em campo, com a truculência da seleção Argentina.
É irrelevante se a dívida explode, a produtividade patina, a educação piora, a violência cresce ou a competitividade desaparece. O importante é derrotar o outro lado.
A polarização virou um excelente negócio para os algoritmos, para os influenciadores, para os partidos.
Quem mais ganha são os dois chefes de seita que sobrevivem alimentando a convicção de que, sem eles, o país acaba amanhã.
No fim, talvez a pergunta não seja se “L” ou “B” manipulam seus seguidores.
A pergunta é muito mais desconfortável:
Quem está manipulando quem?
Por que ninguém controla uma sociedade que se recusa a ser manipulada?
Qual é o futuro de uma democracia quando cidadãos trocam pensamento crítico por fanatismo de estimação?
Fonte: “Why Fools Rule the World”- Becoming Tomorrow, Yuval Noah Harari.
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