Fascistas, de direita ou esquerda, precisam de grandes demonstrações de poder. Na defunta URSS, e agora na Rússia, a parada da vitória sobre a Alemanha é a mãe de todas as paradas. Por que a deste ano foi tão tímida?
As fotos acima mostram o declínio quantitativo e qualitativo dos chefes de Estado que foram prestigiar Putin. Em 2025, o Sul Global estava presente para reforçar a mensagem de que a Rússia não estava isolada e era um dos líderes da aliança contra o Ocidente.
A desidratada parada deste ano não contou com armamentos pesados (tanques e mísseis), por medo de serem atacados por drones da Ucrânia e foi prestigiada (sic!) por líderes de potências (sic!) como Belarus, Cazaquistão e Laos.
O que levou Putin a ser tão comedido? O que aconteceu com seu triunfalismo?
Carl von Clausewitz, grande estrategista prussiano, já disse que “ninguém inicia uma guerra — ou melhor, ninguém em sã consciência deveria fazê-lo — sem antes estar claro sobre o que pretende alcançar e como pretende conduzi-la”.
Putin apostou que tomaria Kiev em três dias, faria um grande desfile pelas avenidas da capital da Ucrânia, eliminaria Zelensky e instalaria um regime fantoche. Mais de quatro anos e uns 1,2 milhões de mortos, feridos e desaparecidos, o que Putin está conseguindo é acabar com a economia russa.
A resistência ucraniana obrigou Putin a transformar a Rússia em uma economia de guerra, que está custando uns 8% do PIB. Em um primeiro momento, houve um crescimento da economia, pelos investimentos em material bélico. Com o passar dos meses, com o dinheiro injetado na economia, somado à falta de produtos para a população, a inflação subiu, com ela os juros, que diminuíram o poder de compra dos russos. Qualquer semelhança econômica com o (des) governo de um grande país sul-americano não é coincidência.
Mas esta não é a razão principal pela qual o liberalismo derrotará Putin. O que transformou o que seria um passeio no parque em um desastre militar foi o que previu David Hume, quando disse que “a necessidade é o grande estímulo para a indústria e a invenção”.
Na estratégia de guerra tradicional, a Ucrânia não teria como resistir sequer alguns meses, o gigantesco poder militar russo. Ela mudou o jogo apostando em drones que inicialmente eram pequenos e tinham pouco alcance. Hoje eles atingem uma grande parte do território russo. Só sociedades livres inovam porque resolvem problemas descentralizadamente. As crises forçam a adaptação, que motivam a criatividade do indivíduo.
Mesmo que tenha uma vitória parcial, Putin terá uma vitória de Pirro. Onde ele vai empregar os soldados que voltarão do front? Como vai transformar a indústria bélica para produzir bens civis? Como vai controlar a inflação?
Fonte: “Why Russia’s War is starting to Crack” – Financial Times; “Russia’s Inevitable Victory Narrative is Falling Apart” – Global Gambit.
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