Calma, não joguem pedras. Título polêmico é uma ferramenta para uma melhor comunicação.
A era da comunicação centralizada e hierárquica criada pela imprensa foi uma exceção histórica. A internet está nos levando de volta a uma cultura mais conversacional, comunitária e descentralizada — com todas as oportunidades e riscos que isso implica.
Antes de Gutenberg inventar no Ocidente a prensa de tipos móveis, menos de 10% da população sabia ler e escrever. A razão era o custo dos livros manuscritos. Com a proliferação dos livros e panfletos, este cenário foi mudando.
Os livros aceleraram a Reforma Protestante de Lutero, as ideias do Iluminismo, os romances.
Antes da Gutenberg, a transmissão do conhecimento era oral, as ideias eram negociadas socialmente, múltiplas versões coexistiam, que eram aceitas ou não pela sociedade.
Com a imprensa, surge o texto fixo, padronizado, com autores conhecidos, às vezes com pseudônimos para fugir da censura, escritos por especialistas, controlados por instituições (editoras, universidades, governos, igreja) centralizadoras.
Este modelo reduziu o número de emissores da comunicação da tradição oral, aumentou o número de receptores (leitores), moldando a educação, o jornalismo, a política, a ciência e a gestão empresarial.
Poucos falam (escrevem), muitos ouvem (leem).
O rádio, a televisão e, finalmente, a internet foram enfraquecendo este modelo. Hoje qualquer um pode escrever ou falar, no Facebook, Instagram, TikTok, LinkedIn. A comunicação foi democratizada. Todos podem falar para todos.
Como podemos nos destacar no meio desta multidão de criadores de conteúdo?
Estamos voltando para a época anterior à imprensa, com a transmissão oral, em vez da escrita. Cada vez menos pessoas leem e mais seguem influencers, que se destacam por conversar de uma forma genuína (positiva ou negativa), informal, sem seguir roteiros ou ler em teleprompters, mostrando seus acertos e, principalmente, erros.
Quem sabe faz ao vivo, já disse o Faustão.
Finalmente, é necessário provocar para capturar a atenção antes de comunicar. Por isso, o título provocativo com o qual abri este post. Estou tentando me adaptar à nova fase oral.
Como você está se adaptando a esta nova fase oral? Ela é melhor ou pior do que a fase da imprensa?
Fonte: “The Guttenberg Parenthesis” — Jeff Jarvis.
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