Estava na Alemanha quando fomos massacrados por 7×1. Oito anos depois, estamos perdendo novamente, mas desta vez no populismo fiscal. Dúvida?
A economia alemã não cresce desde 2019, variando entre uma recessão e estagnação. Não é um problema conjuntural, é estrutural. O modelo acabou, pelas seguintes razões:
– Energia barata (gás russo).
– Dependência das exportações.
– Queda da demanda global/concorrência da China.
– Estado inchado, aumentando continuamente.
– Burocracia e regulamentações sufocantes.
– Demografia: envelhecimento da população/baixa natalidade.
– Erosão ética do trabalho – “krankfeiern” – Atestados de afastamentos frios.
– Ingovernabilidade: coligações para formar maiorias parlamentares com interesses conflitantes.
Até aqui podemos identificar algumas semelhanças com o Brasil, mas onde vamos perder de goleada é no populismo fiscal: distribuir dinheiro para a população não trabalhar. Estes são alguns (tem mais) dos presentes (sic!) do Estado Alemão.
– Geringverdiener: trabalhador de baixa renda.
– Niedriglohnempfänger: quem recebe salário baixo (mais técnico/estatístico).
– Bürgergeld: principal benefício atual (substituiu o antigo Hartz IV).
– Aufstockende Leistungen: benefícios complementares para quem trabalha.
– Wohngeld:auxílio para aluguel/moradia.
– Kindergeld: benefício por filho (universal, base do sistema).
– Kinderzuschlag (KiZ): complemento para famílias de baixa renda com filhos.
O tiro no pé deste modelo é a chamada Taxa Marginal Efetiva: quanto entra no seu bolso ao você trabalhar e ganhar mais.
Dependendo de diversos fatores (idade, família etc.) de um aumento de 1.000 euros, os impostos e perda dos benefícios consomem até 800 euros, sobrando 200 euros para o trabalhador. Qual é a motivação que ele tem para trabalhar mais?
Alemanha e Brasil têm problemas diferentes, mas cometem o mesmo erro: tentam sustentar o futuro com estruturas do passado. Isto tem nome: Retrocac.
Você conhecia este lado da Alemanha?
Fonte: Prof. Clemens Fuest „Wie kann die deutsche Wirtschaftswende gelingen? Prof. Clemens – Stiftung Marktwirtschaft.
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